qua, 12 de agosto de 2026

Polícia apura aparição de pai e filho suspeitos de matar moradores de Rio Preto na região

Informações que circulam desde o último fim de semana dão conta de que os suspeitos da chacina de cobradores de dívidas em Icaraíma (PR), Antônio Buscariollo, de 66 anos e seu filho, Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, teriam sido vistos em um pesque-pague no interior de São Paulo.

Os dois são foragidos e acusados de arquitetar e executar os quatro homens no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma.

Nesta terça-feira (3), o delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pelo inquérito, afirmou que a denúncia está sendo verificada com cautela.

“A informação chegou e determinamos a verificação imediata. Contudo, detalhes como o local exato e a data não serão divulgados para não prejudicar o andamento das investigações”, explicou o delegado.

O que causa estranheza às autoridades, porém, é que, apesar do suposto reconhecimento, não houve uma denúncia formal imediata no momento do avistamento, o que levanta dúvidas sobre a veracidade do relato.

Diferente das versões iniciais, a investigação revelou que o crime não nasceu de um simples desacordo, mas de uma transação imobiliária mal resolvida.

Alencar Gonçalves de Souza Giron comprou um sítio de cinco alqueires de Antônio Buscariollo por R$ 750 mil, pagando R$ 255 mil à vista.

Como o financiamento bancário do restante do valor foi negado, o negócio foi desfeito.

Buscariollo deveria devolver o valor pago em 10 parcelas de R$ 25 mil, mas os pagamentos atrasaram. Alencar, então, contratou cobradores de São José do Rio Preto (SP) para tentar receber a dívida.

As vítimas Alencar Giron (36), Diego Henrique Affonso (39), Rafael Marascalchi (43) e Robishley de Oliveira (53) foram vistas com vida pela última vez em uma panificadora de Icaraíma no dia 5 de agosto do ano passado.

Os quatro tinham passagens pela polícia por ameaças, violência doméstica e outros crimes e atuavam em “cobranças difíceis”.

Laudos periciais divulgados em dezembro de 2025 apontam que a execução ocorreu por volta das 12h30 daquele mesmo dia, logo após o grupo chegar à propriedade rural dos Buscariollo. O ataque foi implacável

Foram utilizadas pelo menos cinco armas diferentes, incluindo calibres de uso restrito como 5.56 e .223, além de 9mm e calibre 12. Não houve tortura. As vítimas foram alvejadas dentro ou ao lado de uma caminhonete Fiat Toro branca por atiradores posicionados em três pontos diferentes, indicando uma emboscada profissional.

Um dos detalhes mais sinistros do caso foi a localização da caminhonete das vítimas, ocorrida apenas em 12 de setembro de 2025. O veículo foi encontrado enterrado em uma vala profunda, dentro de um bunker (estrutura subterrânea usada para esconder armas e drogas).

A retirada do carro exigiu 10 horas de trabalho com maquinário pesado. Dentro da caminhonete, peritos encontraram marcas de sangue e objetos pessoais, como um boné de Diego Affonso. No entanto, até hoje, os corpos dos quatro homens permanecem desaparecidos, o que prolonga o sofrimento das famílias.

Fonte: Jornal do Povo Marília

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