qua, 12 de agosto de 2026

Lista suja do trabalho escravo inclui três empregadores da região de Votuporanga

Casos foram registrados em 2025 em Américo de Campos, Gastão Vidigal e Magda (SP). Empregadores entraram na lista após processo administrativo concluído pelo MTE.

Três empregadores com atuação em municípios da região de São José do Rio Preto (SP) aparecem na atualização mais recente da chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo governo federal, no dia 6 de abril.

Os registros se referem a fiscalizações realizadas em 2025 nas cidades de Américo de CamposGastão Vidigal e Magda.

De acordo com o documento, o caso com maior número de trabalhadores envolve um empregador com alojamentos na cidade de Gastão Vidigal, onde 29 pessoas foram encontradas em situação irregular durante ação fiscal. O processo foi concluído em novembro de 2025.

O empregador, que tinha sede em Nova Castilho (SP) e atuava no cultivo de cana-de-açúcar, está com cadastro baixado na Receita Federal, o que significa que encerrou as atividades.

Alojamentos

Em Gastão Vidigal, uma empresa de transportes, com sede em Buritama, foi incluída na lista após fiscalização que identificou cinco trabalhadores em condição análoga à escravidão em alojamentos. O processo foi concluído em outubro de 2025.

Outro registro na região envolve um empregador individual, com ocorrência em estabelecimentos localizados na zona rural dos municípios de Américo de Campos e Magda. Neste caso, três trabalhadores foram identificados. Os processos foram concluídos em outubro de 2025.

Aumento de casos

A mais nova atualização do cadastro de empregadores foi divulgada no dia 6 de abril pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram adicionados 169 novos empregadores ao cadastro, o que representa um aumento de 6,28% em relação à última atualização. Desse total, 102 são pessoas físicas (patrões) e 67 são empresas (pessoas jurídicas).

Nessa nova atualização, as atividades econômicas com o maior número de empregadores incluídos na lista foram:

  • Serviços domésticos (23);
  • Criação de bovinos para corte (18);
  • Cultivo de café (12);
  • Construção de edifícios (10);
  • Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6).

A chamada “lista suja” reúne empregadores que foram autuados por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão após processos administrativos concluídos.

É um documento público divulgado semestralmente pelo Ministério do Trabalho, em abril e outubro, que dá visibilidade às ações de combate ao trabalho escravo.

Empregadores entram após processo administrativo concluído com etapa sem possibilidade de recurso. Permanecem por dois anos e só saem se não tiverem novos casos e estiverem com a situação regularizada.

Ações recentes

O mais recente flagrante de trabalho análogo à escravidão no noroeste paulista ocorreu durante operação de fiscalização, em março deste ano.

Na ocasião, uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho resgatou 44 trabalhadores, incluindo indígenas, em condições análogas à escravidão na região de Araçatuba (SP).

Cinco moradias foram vistoriadas em Araçatuba, Buritama, Votuporanga e Floreal.

Em Rio Preto, em novembro de 2025, uma costureira de 32 anos chegou a ser presa em flagrante suspeita de manter pelo menos três famílias de bolivianos em condição análoga à de escravo, com pouco salário, proibição de sair por dívidas e comida limitada em uma confecção da cidade. FONTE: G1

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