qua, 12 de agosto de 2026

Investigação aponta repasse suspeito de R$ 4,7 milhões da Prefeitura de Rio Preto para Santa Casa de Casa Branca

A quebra do sigilo bancário de uma das contas da Santa Casa de Casa Branca revelou que a instituição realizou dez transferências financeiras, somando R$ 4,7 milhões, logo após receber dinheiro antecipado da Prefeitura de São José do Rio Preto. O montante havia sido repassado pela Secretaria Municipal de Saúde por conta de um convênio emergencial fechado entre o município e a entidade hospitalar. No entanto, o Ministério Público do Estado de São Paulo constatou que o dinheiro foi pulverizado por meio de transações via Pix e DOC, com valores que variaram de R$ 20 mil a R$ 1,5 milhão.

O convênio, orçado em quase R$ 12 milhões, tinha como objetivo contratar a chamada “Carreta da Saúde” para realizar um mutirão de exames na cidade. Diante de suspeitas de irregularidades e por motivos de segurança jurídica, o prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Candido, decidiu anular o contrato. Segundo o promotor de Justiça Carlos Romani, a promotoria agora tenta rastrear o destino final das transações bancárias para identificar os beneficiários desse dinheiro e descobrir se as pessoas ou empresas que receberam as transferências têm de fato alguma relação legítima com o projeto de saúde. Procurada, a diretoria da Santa Casa de Casa Branca declarou que só vai se manifestar sobre o assunto nos autos do processo judicial.

A apuração do caso corre em ritmo acelerado na Justiça e no Poder Legislativo. No final do mês passado, a Justiça de Rio Preto acatou um pedido liminar e bloqueou mais de R$ 3,8 milhões em bens da Santa Casa e de quatro investigados no esquema, incluindo o ex-secretário de Saúde do município Rubens Bottas. O valor do bloqueio corresponde à quantia que ainda não foi devolvida aos cofres públicos, já que a entidade restituiu apenas R$ 950 mil do adiantamento milionário. A decisão judicial também proibiu o município de firmar novas parcerias com o hospital.

Paralelamente, os vereadores de São José do Rio Preto criaram uma Comissão Especial de Inquérito para investigar o caso e apontaram graves inconsistências no processo de contratação. Entre os pontos de alerta levantados pelos parlamentares estão a dispensa de licitação pública para escolher uma entidade sediada a centenas de quilômetros de distância e a rapidez incomum com que a Santa Casa de Casa Branca foi habilitada a atuar em Rio Preto — processo concluído em apenas dois dias. Outro fator que chamou a atenção dos órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, foi a liberação do repasse milionário antes mesmo de qualquer exame começar a ser feito na cidade, indício que levantou suspeitas de direcionamento na escolha da organização social.

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