sex, 14 de agosto de 2026

Auxiliar relata coceira intensa e noites sem dormir após surto de sarna humana em creches: ‘É insuportável’

Funcionários e crianças de escolas em Estrela D’Oeste (SP) tiveram feridas e lesões pelo corpo; Secretaria Municipal de Saúde confirma pelo menos 80 casos.

“A coceira é insuportável, você não consegue raciocinar.” É assim que a auxiliar de serviços gerais Simeia Miguelão descreve os dias em que enfrentou os sintomas da sarna humana após um surto da doença em creches em Estrela D’Oeste (SP).

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, foram registrados oficialmente pelo menos 80 casos de sarna humana em alunos e funcionários de quatro instituições de ensino, entre quarta (12) e esta sexta-feira (14), até a última atualização desta reportagem. 

🔎 A sarna humana, também conhecida como escabiose, é uma infestação causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, que provoca coceira intensa na pele. A doença cutânea infecciosa é transmitida por meio do contato direto com uma pessoa infectada ou com objetos e roupas contaminados.

Simeia relatou à TV TEM que os primeiros sinais pareciam uma simples picada de pernilongo. Depois, vieram a coceira intensa e pequenas feridas pelo corpo. Simeia conta que levou cerca de dez dias até descobrir do que se tratava.

As lesões apareceram na parte de trás da coxa, na barriga e nos braços. A intensidade da coceira, de acordo com ela, afetou a rotina e o sono.

“Me ‘pegou de jeito’, foram feridas imensas. Uma coceira que enlouquece, você não quer dormir, não tem vontade de comer, você só quer coçar, até entrar com a medicação, que foi o que aliviou. É insuportável, você não consegue raciocinar”, relata Simeia.

A auxiliar de escritório Beatriz Duarte é mãe de uma das crianças que apresentou sintomas. Ela conta que o filho começou com coceira e pequenas lesões, inicialmente confundidas com furúnculos.

“No bumbum e nas costas começou a alastrar e eu percebia o incômodo. À noite era pior. Ele começou a coçar e começou a sangrar”, relatou a mãe.

🦠 A sarna humana costuma provocar coceira intensa, principalmente à noite, além de pequenas lesões, bolinhas ou linhas avermelhadas na pele. As marcas aparecem com mais frequência entre os dedos das mãos, nos punhos, cotovelos, axilas, cintura, nádegas e região genital, mas podem atingir outras áreas do corpo. Em crianças pequenas, também podem aparecer nas palmas das mãos, plantas dos pés e couro cabeludo.

Os pacientes que apresentaram coceira na pele, principalmente durante a noite, além de feridas e pequenas bolhas pelo corpo, foram encaminhados para uma ala isolada criada temporariamente pela Secretaria Municipal de Saúde na Unidade Básica de Saúde (UBS) III Victor Zivieri (UBS Central), na Rua Paraná, 1141, Centro.

Pais, familiares e pessoas que tiveram contato com os estudantes também são monitorados pela Secretaria Municipal de Saúde para identificar possíveis sintomas.

Casos em creches

Franciele Paixão, coordenadora da creche Maria Luiza Gallo, contou que os primeiros sinais foram percebidos entre crianças do berçário. Segundo ela, os alunos com sintomas foram afastados.

A unidade foi dedetizada na quarta-feira e passaria novamente pelo procedimento. Segundo a coordenadora, também estava prevista uma limpeza geral da escola antes do retorno das atividades, previsto para segunda-feira (17).

  • Na Creche Maria Luiza Gallo Freire de Carvalho, foram confirmados 50 casos. Por precaução, a unidade foi fechada na quarta e permanece sem atividades até esta sexta-feira. Durante o período, o local passa por dedetização;
  • A Creche Ana Aparecida Peresi Secches registrou outros 28 casos;
  • A Escola Municipal Horizontino Angelucci identificou casos;
  • A Escola Municipal Francisco Alves de Oliveira(FAO) identificou casos;

Até a última atualização, no entanto, os dados dessas duas unidades não haviam sido confirmados oficialmente.

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