A Unidade de Diálise da Santa Casa de Votuporanga recebeu, na última quinta-feira (29/10), uma doação de alimentos arrecadados por estudantes de Medicina da Unifev, por meio do Centro Acadêmico de Medicina de Votuporanga, o CAMEV, e destinada aos pacientes com o intermédio da Associação dos Pacientes Renais de Votuporanga, a APREVO.
A iniciativa nasceu do Trote Solidário, ação organizada pela área de Filantropia do CAMEV para aproximar calouros e veteranos e, ao mesmo tempo, estimular uma formação médica que também passe pela empatia e pelo compromisso com o próximo. Segundo Raíssa Franchini, estudante de Medicina e presidente da Filantropia do CAMEV, a campanha arrecadou mais de três toneladas de alimentos, roupas e produtos de limpeza ao longo deste ano.
“Ser médico vai muito além de atender o paciente no dia a dia. A medicina envolve empatia e ajuda ao próximo”, afirmou Raíssa. Entre as instituições escolhidas para receber parte das arrecadações esteve a APREVO, que mantém parceria com a Santa Casa e acompanha de perto a realidade dos pacientes renais.
Nesta entrega, a associação recebeu aproximadamente meia tonelada de alimentos, que serão organizados em cestas básicas e destinados aos pacientes em maior situação de vulnerabilidade social. A seleção será feita com apoio da Assistência Social da Unidade de Diálise, que já acompanha os casos e identifica quem mais necessita desse suporte.
Para Maria Isabel Areliano, vice-presidente da APREVO, a doação representa um reforço importante para um trabalho que, ao longo dos anos, buscou melhorar a rotina dos pacientes em tratamento. A associação já desenvolveu diferentes formas de apoio, inclusive com alimentação durante o período de diálise, e agora trabalha para fortalecer novamente sua atuação.
“A gente quer melhorar a situação dos pacientes no dia a dia, principalmente na alimentação”, explicou Maria Isabel. Para ela, receber uma doação desse porte também ajuda a renovar o trabalho da entidade e ampliar a capacidade de atendimento às pessoas acompanhadas.
Na prática, o impacto chega diretamente à mesa de quem enfrenta uma rotina de tratamento contínuo. Atualmente, a Santa Casa acompanha 268 pacientes em hemodiálise e outros 20 em diálise peritoneal automatizada. Entre eles, há pessoas em situação de risco social que nem sempre conseguem manter uma alimentação adequada às necessidades do tratamento.
Yeda Nunes, nutricionista da Hemodiálise, convive diariamente com essa realidade. Segundo ela, muitos pacientes enfrentam limitações físicas que dificultam ou até impedem o trabalho, o que afeta diretamente a renda familiar e o acesso aos alimentos necessários.
“Às vezes eu preciso orientar que o paciente tenha um aporte maior de proteína e ele me responde que não consegue. Como nutricionista, é muito difícil ouvir isso e saber que essa é a realidade de muitos deles”, contou.
Por isso, para Yeda, uma doação como essa não representa apenas alimento. Representa acolhimento. “Eles se sentem abraçados, acolhidos pela população. É uma forma de amor e de solidariedade”, afirmou.
Os alimentos recebidos serão transformados em cestas e distribuídos conforme a avaliação social dos pacientes. Hoje, a equipe acompanha mais de 50 pessoas cadastradas em situação de risco, número superior à quantidade que as doações habituais conseguem atender.
Ao reunir estudantes, associação e equipe hospitalar em torno de uma mesma ação, a entrega mostrou como diferentes pessoas podem contribuir para tornar o tratamento um pouco mais leve fora das salas de diálise. Para quem recebe, a cesta ajuda em uma necessidade concreta. Para quem doa, o gesto também lembra que cuidar da saúde pode começar muito antes de uma consulta e, muitas vezes, passa por algo tão essencial quanto ter comida suficiente em casa.
A doação reforça uma rede de cuidado que vai além do tratamento e alcança necessidades básicas presentes no cotidiano dos pacientes.














