seg, 21 de setembro de 2026

Simpósio promovido pela Funfarme e Famerp capacita profissionais para reduzir risco de sequelas em pacientes com lesões neurológicas

Quando um paciente sofre um insulto cerebral grave, como um traumatismo cranioencefálico (TCE), uma hemorragia subaracnoide (HSA) aneurismática ou um AVC hemorrágico, o atendimento realizado nos primeiros momentos pode ser determinante para a evolução do quadro.

Além da lesão provocada pelo próprio evento, o cérebro pode sofrer novas agressões ao longo das horas seguintes, chamadas de lesões cerebrais secundárias, que podem agravar a condição clínica e aumentar o risco de sequelas.

Foi justamente sobre esse período — entre o primeiro atendimento e a chegada ao hospital de referência — que se debruçou o Simpósio de Manejo ao Paciente Neurocrítico, promovido pela Funfarme, em parceria com a Famerp, nos dias 18 e 19 de setembro, no Centro de Convenções da Famerp.

Referência regional para casos neurológicos de alta complexidade, o Hospital de Base conta com 20 leitos exclusivos para pacientes neurocríticos, além de equipe especializada e estrutura para o atendimento desses casos.

Cuidado começa antes da chegada ao hospital

Segundo a neurointensivista da UTI Neurológica do HB, Gisele Oliveira, há medidas que podem ser adotadas já no primeiro atendimento para proteger o cérebro do paciente enquanto ele aguarda a transferência para um serviço especializado.

“O nosso objetivo é treinar os profissionais que estão na ponta para que eles saibam o que podem fazer para proteger o cérebro desse paciente enquanto o encaminhamento não acontece”, explica.

Entre os conteúdos abordados estiveram avaliação neurológica objetiva e seriada, reconhecimento precoce da deterioração clínica, neuroimagem, prevenção da lesão cerebral secundária e ventilação mecânica. O treinamento também discutiu medidas que fazem parte do cuidado ao paciente neurocrítico, como o posicionamento adequado.

A proposta também incluiu o aprimoramento da comunicação entre as equipes que realizam o primeiro atendimento e os profissionais especializados que recebem o paciente. Informações clínicas precisas podem auxiliar neurologistas e neurocirurgiões na avaliação do caso e na definição da conduta durante o processo de transferência.

Experiência real mostra importância da agilidade

A história de Rafaela Rodrigues, de 30 anos, ajuda a mostrar, na prática, a complexidade de um caso de traumatismo craniano grave e a importância do atendimento rápido.

Em junho deste ano, Rafaela sofreu um acidente e foi encaminhada ao Hospital de Base com traumatismo cranioencefálico (TCE) grave. Ela precisou ser intubada, permaneceu em ventilação mecânica e sedada, foi submetida à monitorização da pressão intracraniana e enfrentou uma pneumonia grave. O despertar foi lento e também foi necessária a realização de uma traqueostomia. Ao todo, a paciente permaneceu 18 dias em coma.

Hoje, Rafaela está bem. Como não se lembra de grande parte do que aconteceu, sua percepção sobre o período de atendimento é baseada principalmente nos relatos da família e das médicas que acompanharam seu caso.

“Não me lembro do que aconteceu, tudo o que sei foi o que as médicas e a minha família me contaram. Mas sei que desde o começo fui muito bem cuidada e amparada. E sou muito grata a isso”, conta.

Segundo a médica neurointensivista Andressa Paulino, a rapidez no encaminhamento de Rafaela ao Hospital de Base foi um fator primordial para a evolução positiva do caso.

Para as especialistas, situações como essa reforçam a importância de que o paciente neurocrítico seja identificado rapidamente e receba, desde os primeiros cuidados, as medidas necessárias para preservar sua condição neurológica até a chegada ao serviço de referência.

Capacitação para toda a rede

O simpósio contou com aulas teóricas, discussão de casos clínicos e treinamento em comunicação estruturada. A programação partiu de conceitos de neuroanatomia, neurofisiologia e semiologia e avançou para o manejo dos principais diagnósticos recebidos pelo Hospital de Base.

A iniciativa buscou aproximar a experiência do centro especializado dos profissionais que atuam nos diferentes pontos da rede de atendimento.

Para o médico Márcio Queiroz, intensivista e coordenador da UTI Neurológica do Hospital de Base, compartilhar o conhecimento adquirido ao longo de sua trajetória na instituição é uma das razões que o mantém ligado ao hospital.

“É com extrema felicidade e alegria que estou aqui, podendo dividir tudo o que a gente tem aprendido ao longo de tantos anos no Hospital de Base. Fiz minha residência em Clínica Médica e, depois, em Terapia Intensiva, aqui na instituição. Aprendi muito nessa trajetória, e poder transmitir esse conhecimento, para mim, é um dos motivos que me mantém aqui até hoje.”

“A Funfarme entende que seu papel como instituição de referência vai além de oferecer atendimento de alta complexidade. Também temos a responsabilidade de compartilhar conhecimento e contribuir para a qualificação dos profissionais de toda a região. Este simpósio representa exatamente isso: levar a experiência do Hospital de Base para quem está na ponta, fortalecendo a rede e proporcionando ao paciente um cuidado mais qualificado desde os primeiros momentos”, afirma Dr. Horácio Ramalho, diretor executivo da Funfarme.

Com a iniciativa, Funfarme e Famerp buscaram fortalecer a integração entre os serviços de saúde da região e qualificar o atendimento ao paciente neurocrítico desde os primeiros momentos, contribuindo para que ele chegasse ao serviço especializado nas melhores condições possíveis.

Compartilhe!

    Relacionados