A imunização infantil está abaixo da meta de 95% no estado; vacina é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.
O estado de São Paulo completa, em 2026, 38 anos sem registrar novos casos de poliomielite, doença conhecida como paralisia infantil. Apesar do marco, a Secretaria de Estado da Saúde alerta para a importância de manter a vacinação em dia e reforçar a vigilância para evitar o retorno do vírus.
O alerta ocorre em referência ao Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado em 24 de outubro. Embora a doença tenha sido eliminada das Américas, o poliovírus continua circulando em países como Afeganistão e Paquistão, o que mantém o risco de reintrodução.
A vacinação foi decisiva para reduzir os casos no território paulista. Em 1980, foram registrados 101 casos. No ano seguinte, o número caiu para sete, e o último caso no estado foi confirmado em 1988, no município de Teodoro Sampaio. No Brasil, o último registro ocorreu em 1989. Em 1994, as Américas receberam a certificação de eliminação da transmissão do poliovírus selvagem.
Cobertura vacinal abaixo da meta
Apesar dos avanços, os índices de vacinação infantil em São Paulo permanecem abaixo dos 95% recomendados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Dados preliminares de 2026 da Secretaria de Estado da Saúde apontam cobertura de 88,74% no primeiro ano de vida e de 84,51% na aplicação do primeiro reforço.
Para ampliar a proteção, o estado e os municípios realizam ações de busca ativa de crianças com doses pendentes e orientam as famílias sobre a importância de manter a caderneta atualizada.
Vacinação é gratuita nas UBSs
Desde agosto de 2026, o calendário nacional prevê uma segunda dose de reforço da vacina inativada contra a poliomielite (VIP) aos 4 anos. A mudança complementa o esquema exclusivamente injetável adotado em 2024, quando as antigas doses orais em gotas foram substituídas.
Atualmente, o esquema de vacinação é composto por cinco doses, aplicadas gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs): aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos.
Vigilância contra possíveis casos
Além da vacinação, a Secretaria de Estado da Saúde mantém o monitoramento de casos suspeitos por meio do Programa de Vigilância das Paralisias Flácidas Agudas.
A orientação prevê a notificação obrigatória e a realização de exames laboratoriais de fezes em crianças e adolescentes menores de 15 anos que apresentem perda repentina de força muscular. A medida permite investigar possíveis casos e identificar precocemente ameaças à saúde pública.
Mesmo após décadas sem registros, as autoridades sanitárias reforçam que a manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para proteger as crianças e impedir que a poliomielite volte a circular no estado.













