qua, 12 de agosto de 2026

Proliferação de aguapés atinge Rio São José dos Dourados e prejudica pescadores em Marinópolis

Um trecho do Rio São José dos Dourados, no município de Marinópolis, enfrenta um grave desequilíbrio ambiental que transformou radicalmente a paisagem e a economia local. O que antes era um espaço destinado ao lazer e ao sustento de diversas famílias, agora está coberto por uma densa camada de aguapés. Essas plantas aquáticas se espalharam de forma acelerada nos últimos meses, criando um tapete verde que impede a navegação e inviabiliza atividades esportivas, como o passeio de caiaque, que eram comuns na região até o ano passado.

O impacto mais severo é sentido por quem depende do rio para sobreviver. Pescadores tradicionais da cidade relatam que a produção caiu drasticamente, forçando-os a buscar alternativas onerosas. O pescador Antônio Rubio, residente em Marinópolis há duas décadas, explica que o volume de peixes que antes chegava a 150 quilos por mês tornou-se inacessível no trecho tomado pela vegetação. Para garantir o sustento da família, ele agora precisa viajar mais de 100 quilômetros para encontrar áreas limpas, o que gera gastos elevados com combustível e manutenção de equipamentos, tornando a atividade quase inviável.

De acordo com especialistas, embora o aguapé tenha a função natural de filtrar a água, sua proliferação desordenada é um sinal de alerta para o meio ambiente. A bióloga Luciola Lannes destaca que esse crescimento excessivo geralmente ocorre devido ao aumento de nutrientes na água, muitas vezes provenientes de esgoto doméstico ou fertilizantes agrícolas. O problema se agrava quando as plantas morrem, pois a decomposição no fundo do rio consome o oxigênio vital para os peixes, podendo causar mortandade e afetar todo o ecossistema local.

Além da questão ecológica, o setor turístico de Marinópolis também demonstra preocupação, já que o fluxo de visitantes interessados em pesca e lazer é uma importante fonte de receita para o comércio. Enquanto moradores como a pescadora Vilma Cortes lamentam a degradação e pedem por atitudes urgentes, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que monitora a qualidade da água na bacia e mantém a fiscalização sobre possíveis fontes de poluição. Até o momento, no entanto, não há um plano definido para a retirada das plantas, e a comunidade aguarda medidas que devolvam ao Rio São José dos Dourados o seu equilíbrio natural.

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