qua, 12 de agosto de 2026

Justiça suspende despejo de idosa de 82 anos após mobilização popular em Rio Preto

A Justiça de São José do Rio Preto decidiu suspender a ordem de reintegração de posse que determinava a saída imediata de Isabel Caetano de Souza Ferrari, uma idosa de 82 anos, de uma chácara no bairro São José Operário. A medida foi tomada após uma grande mobilização de moradores e autoridades locais, que impediram o cumprimento do despejo na última quarta-feira (22). Diante da forte repercussão social e da vulnerabilidade da moradora, o Judiciário optou por interromper a ação, que previa inclusive o uso de força policial e já contava com um caminhão de mudança no local para retirar os pertences da família.

Dona Isabel vive na propriedade há cerca de duas décadas e reside no local com familiares, incluindo crianças. A ação judicial foi movida por um empresário do setor musical, responsável pela carreira da dupla Zé Neto & Cristiano, que reivindica a posse do imóvel. A idosa relata que passou a ocupar o espaço há 20 anos com a permissão do proprietário da época, por não ter condições financeiras de pagar aluguel ou adquirir uma casa própria. Embora afirme que não pretende desobedecer à Justiça, ela ressalta que não possui outro lugar para morar e pede condições dignas para realizar uma futura mudança.

A situação gerou uma onda de solidariedade na comunidade, onde Dona Isabel é carinhosamente chamada de “Mamãe Noel” devido ao seu histórico de ajuda aos vizinhos e participação em atividades sociais no bairro. O vereador Alexandre Montenegro, que acompanhou a tentativa de despejo, questionou a falta de assistência social no processo, destacando que colocar uma pessoa de idade avançada na rua, sem um destino certo, fere o princípio da dignidade humana. Para os apoiadores, a permanência da idosa no local por tanto tempo também ajudou a preservar a área contra invasões e degradação ao longo dos anos.

Com a suspensão da liminar, o caso entra em uma nova fase de análise jurídica. Enquanto a decisão definitiva não é tomada, Dona Isabel permanece no imóvel, garantindo um alívio temporário para a família e para os vizinhos que acompanham o drama de perto. O desfecho do processo agora depende de novas avaliações sobre o direito de posse do empresário em contraste com a situação de vulnerabilidade social da idosa, buscando uma solução que respeite tanto a lei quanto os direitos básicos de moradia e assistência aos idosos.

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