qua, 12 de agosto de 2026

Delegacias da Mulher realizaram mais de 780 mil atendimentos em 2025 no Brasil

As unidades especializadas da Polícia Civil voltadas ao Atendimento à Mulher registraram 782.474 atendimentos ao longo do ano de 2025 em todo o país. As ocorrências englobam crimes como ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e feminicídio. Ao todo, foram acolhidas 329.451 vítimas, o que indica que muitas mulheres precisaram retornar à delegacia para buscar apoio em mais de uma ocasião.

Os dados foram revelados no 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no contexto das celebrações dos 20 anos da Lei Maria da Penha. O levantamento reuniu informações de 530 estruturas policiais de um total de 585 existentes no Brasil. Em termos regionais, o Sudeste concentrou o maior volume de vítimas atendidas, somando 125.769 casos, o equivalente a 47,8% do total nacional, com o estado de São Paulo liderando o número de registros no país.

Entre as infrações computadas no estudo, o crime de ameaça foi a ocorrência mais frequente, com 148.544 registros, seguido pelas queixas de lesão corporal e injúria. O relatório destacou ainda um aumento expressivo em relação ao levantamento anterior em crimes como perseguição, que subiu 44,3%, e violência psicológica, com uma alta de 49,7%. Além disso, o trabalho das unidades especializadas fundamentou mais de 302 mil pedidos de medidas protetivas de urgência às Justiças estaduais, das quais mais de 118 mil foram concedidas, embora mais de 38 mil tenham sido descumpridas pelos agressores.


Apesar da evolução histórica desde a criação da primeira Delegacia da Mulher em São Paulo, no ano de 1985, o diagnóstico aponta carências estruturais que ainda comprometem o serviço. Atualmente, 80% das unidades não oferecem atendimento 24 horas, e a maior parte dos postos relata dificuldades operacionais, citando a escassez de ferramentas de investigação, a falta de viaturas e a carência de equipamentos de menor potencial ofensivo para o trabalho diário dos profissionais.

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