O Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) alcançou uma marca expressiva ao destinar mais de 110 mil metros cúbicos de fresa asfáltica para prefeituras de todo o estado desde 2023. Essa quantidade de material asfáltico retirado de rodovias em obras seria suficiente para cobrir mais de 150 campos de futebol oficiais. O insumo, que antes poderia ser descartado, agora é doado e reaproveitado pelos municípios para pavimentar ruas, tapar buracos e melhorar estradas de terra sob gestão local, gerando uma grande economia para os cofres públicos municipais.
Essa técnica de reaproveitamento é inspirada em um modelo internacional conhecido como pavimento asfáltico recuperado, adotado desde os anos 1990 em vários países. Especialistas consideram a prática um excelente exemplo de sustentabilidade, pois reduz a necessidade de extrair novas matérias-primas da natureza, diminui os custos das obras urbanas e acelera o tempo de execução dos serviços. De acordo com o presidente do DER-SP, Sergio Codello, a iniciativa vai além do benefício financeiro para as cidades, pois coloca a preservação ambiental no centro das obras de infraestrutura do estado.
O balanço das distribuições mostra que a região de Ribeirão Preto foi a que mais se beneficiou da iniciativa, recebendo sozinha mais de 50 mil metros cúbicos do produto para atender suas 43 cidades. Na sequência aparece a região da Baixada Santista e arredores, centralizada em Cubatão, que obteve cerca de 38 mil metros cúbicos para 24 municípios. Campinas garantiu o terceiro lugar no ranking estadual, acumulando mais de 11 mil metros cúbicos partilhados entre suas localidades. Outras regiões como Itapetininga, Assis, a Grande São Paulo, Taubaté, Rio Claro e São José do Rio Preto também receberam lotes do asfalto reciclado em menores proporções.
Toda essa matéria-prima reaproveitada é gerada a partir das frentes de trabalho espalhadas pelos mais de 12 mil quilômetros de rodovias estaduais paulistas. As raspagens do asfalto velho acontecem principalmente por conta do programa “São Paulo Pra Toda Obra”, considerado o maior plano de infraestrutura viária da história paulista, que movimentou R$ 144,6 bilhões em investimentos públicos e privados em seu primeiro ano. O projeto prevê intervenções e melhorias de longo prazo em mais de 60 mil quilômetros de estradas, garantindo que o fluxo de doações de asfalto reciclado para as cidades continue ativo nos próximos anos.












