Setor calçadista de Birigui é afetado com pandemia e demite cerca de 4 mil funcionários, diz sindicato patronal

Apesar das fábricas estarem autorizadas a funcionar, empresários pararam a produção porque as lojas que comercializam mercadorias estão fechadas.

A crise causada pela pandemia do coronavírus resultou na demissão de cerca de quatro mil pessoas que trabalhavam no setor calçadista de Birigui/SP, segundo levantamento do Sindicato das Indústrias Calçadistas.

Embora as fábricas e indústrias estejam autorizadas a funcionar, respeitando às normas de higiene sanitária, de distanciamento e de oferecimento de equipamentos de proteção aos funcionários, as lojas que compram e comercializam os produtos calçadistas não estão abrindo.

Sem ter como escoar a mercadoria e obter lucro, os empresários do ramo decidiram parar a produção, desligar as máquinas e demitir os empregados.

“Se demorarmos a voltar, vamos perder verdadeiramente todo o inverno e o verão ainda vai demorar para começar”, diz o segundo vice-presidente do Sindicato das Indústrias Calçadistas de Birigui, Samir Nakad.

“Nossas empresas vão ter que se preparar para isso. Sem os nossos combustíveis, que são as vendas e recebimentos, muitas não terão condições de voltar a fabricar até o verão”, complementa Samir.

A cidade de Birigui, que é reconhecida como a capital brasileira do calçado infantil, fabricando até 52% das mercadorias do segmento, tinha 14 mil empregos no setor antes da quarentena ser decretada. Levando em consideração os trabalhadores informais e indiretos, o número de pessoas empregadas sobe para 24 mil.

O número representa quase um quarto dos moradores de Birigui, cidade com 119 mil habitantes, de acordo com o último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o setor praticamente parado e os reflexos da crise batendo às portas, alguns empresários resolveram começar a produzir equipamentos de proteção individual.

Em uma fábrica da cidade, as atividades foram retomadas há cerca de 20 dias. A linha de produção também mudou. As máquinas que antigamente fabricavam calçados, atualmente estão fazendo máscaras.

Como os detalhes do equipamento de segurança precisam ser feitos de forma minuciosa, cerca de 40% dos funcionários voltaram à ativa.

“Nós estávamos com uma visão de todo esse pessoal sem perspectiva de trabalho nesse período e conseguimos trazê-los de volta”, afirma o diretor da indústria, Ricardo Gracia.

A retomada parcial da produção também agradou os empregados. “Ficou uma dúvida para nós. Uma incerteza porque todos nós temos famílias para sustentar. Essa mudança do calçado para a máscara trouxe mais alívio”, conta a funcionária da empresa, Ana Paula Manzini.

FONTE: Informações | g1.globo.com

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