Foragido de operação contra fraude no Fies e Prouni se entrega à Polícia Federal em Jales 

De acordo com a Polícia Federal, suspeito é ex-aluno da Universidade Brasil de Fernandópolis/SP e é apontado como um dos responsáveis por vender vagas do fundo estudantil. Operação Vagatomia foi deflagrada na terça-feira (3) e prendeu 20 pessoas. 

Na manhã desta quinta-feira (5), um ex-estudante da Universidade Brasil, alvo da Operação Vagatomia, que investiga fraude na concessão do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e Prouni (Programa Universidade para Todos), se entregou à Polícia Federal de Jales/SP. 

De acordo com a Polícia Federal, Caio Velasco estava foragido desde terça-feira (3), data em que a operação foi deflagrada. Investigações apontam que ele é suspeito de integrar a organização criminosa que, além de fraudar o Fies e Prouni, também comercializava vagas e transferências de alunos de outros países. 

Até esta quinta-feira (5), 20 pessoas foram presas. Entre elas, o empresário e reitor da universidade, o engenheiro José Fernando Pinto Costa, de 63 anos, e o filho dele, Stefano Bruno. Ambos são apontados pela polícia como chefes da organização. Segundo estimativa da PF, o grupo pode ter usado R$ 500 milhões do fundo de forma fraudulenta. 

Ainda conforme a polícia, pai e filho compravam helicópteros, jatinhos e imóveis com o dinheiro desviado, enquanto faltavam materiais básicos na faculdade, como papel higiênico e toner de impressora. 

Outros dois suspeitos com mandado de prisão permanecem foragidos. Um deles é líder de uma igreja evangélica na região de Presidente Prudente/SP e o outro é de Murutinga do Sul/SP, irmão de um vereador do município. 

Ambos já foram presos em abril deste ano na Operação Asclépio da Polícia Civil de Assis/SP, que investigou crimes relacionados ao curso de medicina da mesma universidade e foram soltos poucos dias antes da deflagração da Operação Vagatomia. 

A PF informou que o ex-estudante preso nesta quinta-feira é apontado como uma das pessoas responsáveis por fazer contato com os estudantes que tinham interesse em cometer a fraude. Estudantes chegaram a pagar R$ 120 mil por vaga em curso de medicina, aponta a Polícia Federal. 

Caio Velasco chegou acompanhado de três advogados na Sede da Polícia Federal de Jales/SP, onde permanece prestando esclarecimentos. Posteriormente, será transferido para uma cadeia do mesmo município. 

Após a operação ser deflagrada, o procurador do Ministério Público Federal, Carlos Aberto Rios, afirmou que houve negligência por parte das instituições que deveriam fiscalizar os programas de financiamento estudantil do governo para evitar possíveis fraudes. 

Entre elas o MEC (Ministério da Educação), o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e a Caixa Econômica Federal. 

O que dizem os citados

Os advogados de Caio Velasco, o ex-universitário que se entregou à polícia nesta quinta-feira, afirmaram à imprensa que ainda não irão se posicionar. 

A assessoria do FNDE disse que, em casos de irregularidades, um processo administrativo é instaurado para responsabilizar os envolvidos e que o fundo irá colaborar com as investigações. 

O MEC afirmou que em casos de indícios de irregularidades, o FNDE irá instaurar processo administrativo para a responsabilização dos envolvidos. 

Caso as irregularidades sejam comprovadas, serão aplicadas as penalidades previstas na Lei nº 10.260, de 2001, que vão desde a proibição de participação no programa até o ressarcimento dos valores cobrados indevidamente. 

A imprensa entrou em contato com a Caixa Econômica Federal e ainda aguarda retorno. 

Operação 

As investigações começaram no início do ano após a PF receber informações de que estariam ocorrendo irregularidades no campus de um curso de medicina em Fernandópolis. 

De acordo com a PF, vagas para ingresso, transferência e financiamentos Fies para o curso de medicina estariam sendo negociados por até R$ 120 mil por aluno. 

O esquema contava com “assessorias educacionais”, que vendiam vagas no curso de medicina, financiamentos Fies e Prouni, além de fraudes em cursos relacionados ao Exame Revalida. 

De acordo com a PF, essas assessorias tinham o apoio dos donos e toda a estrutura administrativa da universidade para negociar centenas de vagas para alunos, que aceitaram pagar pelas fraudes em troca de matrícula no curso de medicina. Como resultado da investigação, a Operação Vagatomia foi deflagrada na manhã desta terça-feira. 

Ao todo, 250 policiais federais foram às ruas para cumprir 77 mandados nas cidades de Fernandópolis, São Paulo, São José do Rio Preto/SP, Santos/SP, Presidente Prudente/SP, São Bernardo do Campo/SP, Porto Feliz/SP, Meridiano/SP, Murutinga do Sul/SP, São João das Duas Pontes/SP e Água Boa/MT. 

A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o valor de R$ 250 milhões. 

A Polícia Federal informou que durante a operação alguns investigados tentaram fugir no momento das prisões e outros jogaram celulares de prédios, antes da entrada dos policiais. Os celulares foram recuperados e os foragidos foram localizados e presos. O material apreendido está sob investigação da Polícia Federal em Jales. 

FONTE: Informações | G1/TV Tem 

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