qua, 12 de agosto de 2026

Promotoria denuncia quatro pessoas por morte de jovem que saltou de ponte sem corda

A Promotoria de Justiça de Limeira apresentou uma denúncia oficial contra quatro pessoas pelo envolvimento na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos. O caso aconteceu no dia 13 de junho, quando a jovem foi arremessada de uma ponte sem a corda de segurança durante a prática de rope jump, uma modalidade de salto em queda livre. Três dos acusados vão responder por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, com o agravante de motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A quarta pessoa envolvida, organizadora do evento, foi denunciada pelo mesmo crime por omissão, já que tinha o dever de garantir a segurança de todos, e também responderá por fraude processual.

A jovem pagou para realizar o salto em um viaduto ferroviário desativado que é conhecido na região como Ponte do Esqueleto. De acordo com as investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o grupo organizava saltos para cerca de 80 a 100 pessoas por dia, mas operava de forma totalmente informal, sem nenhuma estrutura regulamentada e ignorando os protocolos mais básicos de segurança. No dia do acidente, Maria Eduarda foi submetida a uma manobra chamada “aviãozinho”, em que os instrutores erguem o participante e o jogam da estrutura. Os operadores lançaram a jovem no vazio sem perceber que o cabo de segurança não estava preso ao peitoral dela, provocando uma queda de aproximadamente 30 metros de altura que causou a morte imediata da vítima por politraumatismo.

Para os promotores de Justiça, os responsáveis sabiam perfeitamente dos riscos extremos da atividade, mas deixaram de lado cuidados obrigatórios, como conferir os nós e fazer uma dupla checagem dos equipamentos antes de cada salto. A denúncia aponta que o grupo trabalhava sem uma divisão clara de tarefas e explorava o negócio comercialmente sem cumprir as leis, colocando o lucro financeiro e a busca por curtidas nas redes sociais acima da vida humana. O Ministério Público destacou ainda que a organizadora já sabia de uma falha operacional parecida que havia ocorrido em um evento anterior, mas optou por não interromper os saltos nem adotar padrões mínimos de proteção.

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