Professora mais antiga da rede estadual na região atua há 50 anos

Educadora de Jales aprendeu com o pai analfabeto a ensinar. Há 50 anos, ela atua nas escolas da região de Rio Preto

Pelé jogava pela última vez com a camisa da seleção brasileira, enquanto o Parque da Disney, em Orlando, nos Estados Unidos era inaugurado. O Brasil enfrentava a ditadura militar, com Emílio Médici na presidência. Enquanto na música, o cantor Tim Maia lançava o seu segundo disco e consagrava-se como um dos maiores nomes da MPB.

Nesse mesmo ano de 1971, Laurita Rios Aponi Pereira, hoje com 73 anos, entrava pela primeira vez em um colégio da região de Rio Preto para ministrar uma aula. Era uma história que duraria mais de 50 anos, a tornando a professora mais antiga em atividade na rede estadual de ensino do Noroeste Paulista.

Cinquenta anos depois, o Brasil e o mundo mudou, assim como as formas de ensinar. O que não alterou foi a importância do papel do professor na vida de milhões de brasileiros, seja para ensinar a ler e escrever ou até contar. É assim que, aos 73 anos, Laurita continua ensinando e aprendendo na rede estadual de ensino de Jales. “Eu já dei aulas em Urânia, Dolcinópolis, Vitória Brasil, Pontalinda, Jales. Perdi até as contas do número de alunos que tive”.

O sonho de dar aula começou na família. Após fazer o magistério, Laurita teve o primeiro contato com os alunos, em 1971. De início, com crianças das primeiras séries do ensino fundamental. Depois, formou-se em geografia e história e começou a dar aulas para estudantes dos anos finais do fundamental. “Tenho contato até hoje com alguns de meus alunos. Tenho uma classe, que todos hoje estão com mais de quarenta anos e se encontramos todos os anos. Temos até um grupo de WhatsApp”.

Laurita chegou a ser diretora de escola, mas se aposentou do cargo no final da década de 1990. Ela confessa que até tentou curtir alguns meses de descanso, mas sentiu tanta falta da sala de aula que voltou a dar aulas. “O que sei é ser professora. Durante a pandemia, o ensino remoto foi normal pra mim. Sim, teve desafios, mas sempre dá certo”, afirmou.

Atualmente, ela continua dando aulas na escola estadual Euphly Jalles, em Jales. “Agora no final deste ano pretendo me aposentar de vez. Tive duas sobrinhas que se aposentaram como professoras, agora chegou a minha vez”, disse a professora de 73 anos, que até perdeu as contas de quantos alunos já lhe chamaram de professora.

Rio Preto

Em Rio Preto, a professora Lilian Karam Kfouri, 55 anos, é considerada pela Secretaria Municipal de Educação a professora mais antiga em atividade na rede municipal. O sonho de dar aulas surgiu do tio que também era educador. “O sonho de ser professora começou com o incentivo e exemplo do meu tio Munir Nagib Karam. Ele foi professor de biologia, matemática, ciências e física”, contou.

Em 1985, Lilian se formou e começou a trabalhar na Secretaria Municipal de Educação no ano seguinte. “Comecei a trabalhar na Secretaria Municipal de Educação com 20 anos de idade. Durante esse período, fiz pedagogia e pós-graduação, mas sempre gostei da alfabetização dos pequenos”.

Para ela, o amor é chave para continuar dando aulas por tanto tempo. “O amor é a base de tudo, pois o retorno é gratificante e já tive provas disto quando encontro as famílias e ouço os relatos. Só tenho a agradecer a Deus por tudo. Sempre pensei como Paulo Freire que o educador se eterniza em cada ser que educa”.

Rone Carvalho – diarioweb.com.br

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