qua, 04 de novembro de 2026

Pesquisador e médica do interior de SP estão em ranking dos cientistas mais influentes do mundo

Levantamento da Universidade de Stanford reconhece o impacto global das publicações. Equipes lideradas pelos cientistas pesquisam sobre arboviroses e infecções nas Unidades de Tratamento Intensivas (UTI) de São José do Rio Preto

Um pesquisador e uma médica intensivista de São José do Rio Preto, no interior de SP, integram o ranking da Universidade de Stanford dos cientistas mais influentes do mundo com pesquisas focadas nas transmissões de vírus e infecções nas Unidades de Tratamento Intensivas (UTIs) do município.

🔬🦠 As vivências dos líderes das equipes do complexo que envolve a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e o Hospital de Base (Funfarme) guiam estudos importantes que foram reconhecidas no levantamento feito pela universidade americana.

Na área da medicina de emergência e terapia intensiva, a médica Suzana Lobo, professora da Famerp e intensivista no Hospital de Base, teve a produção acadêmica destacada entre as de maior impacto global. O estudo buscou avaliar investigações clínicas sobre a sepse e condutas de suporte em UTIs.

🔎 Sepse, também conhecida como infecção generalizada, é definida como uma disfunção de órgãos com risco de vida após uma resposta do sistema imunológico a um vírus ou bactéria.

Para a intensivista, o maior retorno de fazer pesquisas clínicas no município é garantir que os protocolos reflitam a realidade da própria população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela rede da região.

“O principal benefício é que a nossa população participa da construção do conhecimento que vai orientar seu próprio cuidado. Ter pacientes daqui nos estudos ajuda a responder perguntas relevantes para as nossas UTIs”, destaca Suzana Lobo.

🦟Combate aos mosquitos

Já Maurício Nogueira, professor e chefe do Laboratório de Pesquisas em Virologia (LPV) da instituição, está na lista pelos seus estudos voltados à dinâmica de transmissão de arboviroses endêmicas e epidêmicas, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

🔎 As arboviroses são um grupo de doenças virais que são transmitidas principalmente por mosquitos e carrapatos. Uma epidemia é quando ocorre um aumento no número de casos de uma doença em várias regiões, mas sem uma escala global, e a endemia se dá quando uma doença tem recorrência em uma região, mas sem aumentos significativos no número de casos.

O grupo chefiado pelo virologista atua diretamente no desenvolvimento e aprimoramento de métodos de diagnóstico rápido, tratamentos antivirais e testes clínicos de vacinas. Inclusive, Maurício atuou diretamente na condução da terceira fase nos testes da vacina CoronaVac e da primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo.

Para Maurício, que teve passagens pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH), nos Estados Unidos, antes de se fixar na Famerp no início dos anos 2000, a localização geográfica do noroeste paulista transformou o município em um laboratório fundamental.

“Rio Preto tem uma grande vantagem para quem estuda arboviroses por ser uma região endêmica. É a possibilidade de trabalhar onde as doenças realmente acontecem”, explica o virologista.

Além disso, o pesquisador destaca ainda a adesão dos moradores locais como pilar indispensável para os avanços da ciência, com contribuições até mesmo para a vacina contra a dengue. Os testes, conduzidos pela Famerp foram feitos em 1,1 mil voluntários, em sua maioria moradores no bairro Vila Toninho.

“Temos uma população extremamente compreensiva, voluntária em diversos estudos, e um hospital com infraestrutura que nos permite fazer pesquisas de alto nível em doenças que atingem regiões vulneráveis. Os moradores estiveram entre os primeiros do mundo a serem vacinados [contra a dengue]”, celebra Maurício.

Para Nogueira, figurar na lista da instituição americana é o reflexo de uma construção em rede e uma consequência de 22 anos de trabalho, feito com professores, jovens pesquisadores, pós-graduados e profissionais que já passaram pela Famerp.

Já Suzana pontua que o destaque global comprova a força da produção acadêmica fora dos grandes eixos metropolitanos:

“Para mim, o mais importante é mostrar que podemos produzir ciência de relevância internacional no interior do Brasil, mesmo em condições de financiamento mais limitadas do que em grandes centros do exterior. Espero que isso incentive os mais jovens a começarem aqui”

Compartilhe!

    Relacionados