qua, 12 de agosto de 2026

Laudos de necropsia levantam dúvidas sobre dinâmica de quádruplo homicídio

A versão oficial da Polícia Civil sobre a morte de quatro homens em Icaraíma, que sugeria uma emboscada com as vítimas sendo executadas dentro de um veículo, está sendo contestada com base em novos detalhes dos laudos de necropsia. A defesa das famílias das vítimas aponta que as evidências técnicas encontradas nos corpos indicam uma dinâmica diferente da divulgada inicialmente, sugerindo que os homens podem ter sido retirados do carro ou executados à queima-roupa em circunstâncias ainda não esclarecidas.

De acordo com a análise dos documentos periciais, três das quatro vítimas apresentavam marcas de tiros disparados a curtíssima distância, a maioria concentrada no lado esquerdo do corpo. Especialistas consultados pela defesa argumentam que esse padrão é incomum em situações de emboscada contra um veículo em movimento, onde os disparos costumam ser mais espalhados. Além disso, a trajetória de alguns projéteis e a presença de ferimentos em locais específicos, como a parte de trás da coxa de uma das vítimas, indicam que os disparos ocorreram em momentos ou posições que não condizem com alguém sentado dentro de um automóvel.

Outro ponto que intriga os investigadores e familiares é a presença de lesões que não foram causadas por armas de fogo. Em um dos corpos, foi identificada uma ferida extensa no tórax compatível com o uso de objetos cortantes, como foice ou facão, enquanto outra vítima apresentava fraturas na clavícula sem relação com os tiros. Esses detalhes reforçam a hipótese de que as vítimas possam ter sofrido agressões físicas antes da morte ou que diferentes tipos de instrumentos foram utilizados no crime, ampliando as dúvidas sobre o que realmente aconteceu no local.

A defesa também manifestou críticas à condução de certas etapas do processo, como a ausência de fotos periciais nos laudos e a demora de cerca de 20 dias para que as primeiras buscas por provas fossem realizadas na chácara onde o crime teria ocorrido. Para os advogados, essas lacunas dificultam a reconstituição precisa do cenário e o entendimento da real trajetória dos projéteis. Enquanto o caso segue sob investigação, os novos apontamentos técnicos colocam pressão para que a polícia aprofunde a apuração e esclareça se houve execução direta fora do veículo.

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