Um laudo complementar emitido pelo Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana não foi decorrente de suicídio. A análise técnica do local do crime e do padrão das manchas de sangue revelou que os elementos materiais são incompatíveis com um ato contra a própria vida, confirmando a presença de uma segunda pessoa na cena do crime e reforçando a tese de feminicídio.
O principal suspeito do crime é o companheiro da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso desde março no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. Em fevereiro, a soldado foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal residia. Na ocasião, o oficial acionou o socorro relatando que a companheira havia se matado, versão contestada desde o início pelos familiares de Gisele e desmentida pelas apurações periciais.
Exames necroscópicos anteriores realizados pelo Instituto Médico Legal já haviam identificado escoriações no rosto e marcas de pressão no pescoço da vítima, indicando possíveis agressões físicas antes do disparo. Além disso, investigações apontaram que o réu demorou cerca de meia hora para chamar o socorro após o som do tiro relatado por testemunhas, e que policiais foram enviadas ao imóvel para limpar o local horas depois do ocorrido.
A defesa da família da vítima afirma que os dados periciais apenas confirmam o que os relatórios anteriores já demonstravam, deixando isolada a versão apresentada pelo acusado. O processo judicial segue em andamento na Justiça paulista, com uma nova audiência agendada para terça-feira (8), data em que o tenente-coronel deverá ser interrogado pelo juiz do caso.












