Brasileiros que moram na China estão confinados por causa do coronavírus: ‘Cena de filme de fim do mundo’

Estudante e empresário de São José do Rio Preto/SP contam que rotina mudou e evitam sair às ruas. Produtos em mercados começam a faltar, relatam.

Brasileiros que vivem na China estão preocupados com o crescimento dos casos de coronavírus no país. Até esta terça-feira (28), o número de mortos passava dos 100, com outras 4,5 mil infectadas.

O estudante Hernandes dos Santos Miguel, 23 anos, deixou São José do Rio Preto/SP há quatro meses para estudar mandarim na China. Ele está na cidade de Wuhan, epicentro do surto de coronavírus na China.

“A Wuhan de agora não se parece nada com a cidade que encontrei quando cheguei. As ruas antes sempre movimentadas agora estão vazias. Bem cena de filme de fim do mundo mesmo. As poucas pessoas que saem de casa, saem com máscara e só em caso de extrema necessidade”, afirma Hernandes.

O estudante mora no dormitório para alunos internacionais na universidade onde estuda. Ele explica que saiu poucas vezes de casa desde que a cidade foi interditada. Segundo ele, os únicos lugares que permanecem cheios são os hospitais e mercados.

“Nos mercados a situação é bem caótica, das últimas vezes que fui já não tinha quase nenhum vegetal e água não encontrei, por exemplo. Grande parte dos chineses estão em estado de pânico, então muitos vão ao mercado já com a ideia de estocar o máximo que pode”, diz.

Hernandes deixou Rio Preto, onde é aluno de pós-graduação em linguística aplicada da Unesp, em agosto do ano passado para estudar mandarim na China.

Cidades próximas

O empresário Daniel Botura, de 36 anos, mora na China desde 2007 e vem sofrendo as consequências do crescimento do coronavírus. Ele está há cinco dias sem sair de casa com a família, a filha Victória de 3 anos e a mulher, Wu Jie, de 38 anos.

“Somente hoje (terça-feira) que saí um pouco só embaixo mesmo no prédio. Os supermercados apesar de achar a maioria das coisas, está começando a ficar difícil a entrega”, afirma o brasileiro.

Um item importante para evitar a transmissão do vírus também está em falta, segundo ele. Nas farmácias, não é fácil encontra máscaras e nem álcool spray.

Botura conta que as pessoas estão evitando sair de casa. “A maioria [fica] dentro de casa. É uma sugestão do governo, não é uma obrigação de ficar em casa. Pode sair, mas para se precaver é melhor que não saia ou o menos possível”, afirma.

A rotina da família dele mudou com a nova realidade. A filha voltaria às aulas no dia 10 de fevereiro, mas Daniel explica que recebeu mensagem nesta semana que ainda não tem data para iniciar.

O fato de as pessoas ficarem em casa também tem atrapalhado o trabalho de Daniel. Ele tem uma empresa chamada DBC Solutions, que atua na área de importação e exportação. “Como não está determinado ainda data de voltar, pode sim atrapalhar um pouco, porque alguns clientes precisam que façamos serviços aqui na China, ou querem vir para o país”, afirma.

Daniel mora na China desde 2007 e foi para o país com a intenção de trabalhar. Ao chegar no país, foi para Pequim aprender mandarim. No Brasil, ele se formou em rádio e televisão.

O empresário, natural de São José do Rio Preto/SP, mora na cidade de Anqing, na província de Anhui. Segundo ele, na cidade foram confirmados oito casos de coronavírus.

“Moro na província ao lado de onde se originou o vírus. As cidades mais afetadas já estão fechadas e assim tentando o maior controle, mas mesmo assim preocupa sim a população. Tenho conversado com alguns amigos chineses também e estão todos em casa”, afirma.

Morte em Pequim

Na segunda-feira (27), foi confirmada a primeira morte por complicações respiratórias causadas por coronavírus em Pequim. Segundo a rede estatal CCTV, a vítima é um homem de 50 anos diagnosticado com a doença na quarta-feira (22) após viagem para Wuhan, cidade considerada como epicentro da doença.

Em uma tentativa de conter a propagação da doença, o governo chinês suspendeu as comemorações do Ano Novo Lunar e estendeu o feriado até o dia 2 de fevereiro. Grandes empresas fecharam as portas ou disseram aos funcionários para trabalhar de casa.

O premiê chinês, Li Keqiang, visitou a cidade de Wuhan para sinalizar que está respondendo seriamente ao surto. O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que está a caminho de Pequim para “estreitar a colaboração” com a China. Nesta segunda-feira, a OMS passou a classificar como “elevado” o risco internacional de contaminação pelo coronavírus.

FONTE: Informações | g1.globo.com

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