sex, 26 de junho de 2026

Bombeiros de SP embarcam para missão de resgate na Venezuela após terremoto devastador

Uma equipe especializada do Corpo de Bombeiros de São Paulo está a caminho da Venezuela para reforçar as operações de busca e salvamento nas cidades destruídas pelo recente terremoto. O grupo viaja carregando na bagagem equipamentos modernos para resgate em estruturas colapsadas, suprimentos médicos, alimentos e abrigos próprios. Além das ferramentas físicas, os profissionais levam o conhecimento prático de quem já atuou em algumas das maiores catástrofes humanitárias das últimas décadas.

A comitiva paulista conta com 13 bombeiros militares, incluindo dois médicos, além de um representante da Defesa Civil Estadual e duas cadelas farejadoras. Esse contingente vai se somar a uma força-tarefa brasileira maior, composta por 36 profissionais dos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, todos mobilizados para dar suporte logístico e operacional às equipes de socorro venezuelanas.

Foco total na autossuficiência da equipe

Um dos pontos centrais do planejamento da missão é a total independência dos profissionais brasileiros em solo estrangeiro. A líder da equipe paulista, major Daniela Santos Oliveira, explicou que o grupo foi estruturado para ser completamente autossuficiente desde o momento do desembarque. Segundo a oficial, a intenção é dispor de toda a estrutura necessária para operar sem demandar nenhum tipo de recurso local, evitando sobrecarregar uma nação que já enfrenta uma crise extrema. A capitão Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros, endossou a estratégia, reforçando que a equipe possui certificação internacional e treinamento específico para atuar em cenários de desabamentos sem se tornar um peso para o país acolhedor.

Preparo técnico e adaptação ao clima local

A bagagem emocional e técnica dos integrantes é um diferencial para enfrentar a calamidade. A major Daniela acumula em seu currículo operações complexas, como o terremoto da Turquia, o rompimento da barragem em Brumadinho e as enchentes no Rio Grande do Sul. Ela destaca que essas experiências anteriores moldaram o preparo psicológico do grupo para lidar com cenários de devastação.

As características geográficas também exigiram uma mudança de estratégia médica. A capitão médica Fabiana Maria Ajjar, que integra o Comando de Aviação da Polícia Militar e também trabalhou no desastre da Turquia, pontuou que, ao contrário do frio intenso enfrentado na Europa, a missão na Venezuela lidará com altas temperaturas. Por isso, a equipe adaptou os protocolos de saúde e os medicamentos para enfrentar os riscos epidemiológicos típicos de regiões quentes, garantindo a proteção dos próprios socorristas e das vítimas atendidas.

Cães farejadores aumentam chances de encontrar sobreviventes

O apoio canino será uma das ferramentas mais valiosas para localizar pessoas sob os escombros. Entre os animais enviados está Malina, uma cadela da raça pastor belga malinois de cinco anos que já tem um histórico de sucesso em buscas complexas, como um resgate bem-sucedido em área de mata em Ribeirão Pires no início deste ano. Ao seu lado viaja a jovem Kiara, que participará do trabalho para ganhar experiência prática.

O condutor de Malina, sargento Laercio Leres, que também esteve no terremoto da Turquia em 2023, explicou que o faro dos animais é imbatível para otimizar o tempo das equipes. Os cães conseguem descartar rapidamente áreas vazias e apontar com precisão onde há sinais de vida. O sargento lembrou ainda que, em situações de terremoto, desabamentos costumam criar pequenos bolsões de ar entre as estruturas de concreto, o que mantém viva a esperança de encontrar sobreviventes mesmo dias após o tremor.

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