qua, 12 de agosto de 2026

ARTIGO: Nem toda dor de cabeça é igual: Dr. João Ricardo Leão explica quando a cefaleia merece atenção especializada

A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos, mas você sabia que existem mais de 200 tipos de cefaleia? Muitas pessoas convivem com o desconforto por anos, recorrendo à automedicação, sem saber que o diagnóstico correto pode transformar sua qualidade de vida.

Para esclarecer o assunto, conversamos com o neurologista Dr. João Ricardo Leão, que destaca: “O primeiro passo para o tratamento eficaz é entender que dor de cabeça não é tudo igual”.

Diferenciando os tipos mais comuns

De acordo com o Dr. João Ricardo, a maioria dos casos se divide entre a cefaleia tensional e a enxaqueca, mas as características são bem distintas:

  • Cefaleia Tensional: É aquela dor “comum”, que causa uma sensação de aperto ou pressão, geralmente dos dois lados da cabeça. Está muito ligada ao estresse e à tensão muscular.
  • Enxaqueca: É uma doença neurológica crônica. A dor costuma ser pulsátil, em apenas um lado da cabeça, e frequentemente vem acompanhada de sensibilidade à luz (fotofobia), ao barulho e até náuseas ou vômitos.

Quando a dor de cabeça é um sinal de alerta?

Embora a maioria das dores de cabeça não indique algo grave, o Dr. João Ricardo alerta para os chamados “sinais de alerta” (red flags). Se você apresentar algum destes sintomas, a avaliação neurológica deve ser imediata:

  1. Início súbito: Aquela dor que atinge o nível máximo de intensidade em poucos segundos (a “pior dor da vida”).
  2. Mudança de padrão: Uma dor que você já tinha, mas que mudou de intensidade ou frequência drasticamente.
  3. Sintomas associados: Febre, fraqueza em um lado do corpo, visão embaçada ou confusão mental.
  4. Idade: Dores que começam a surgir após os 50 anos de idade.

O caminho para o tratamento: Além do analgésico

Muitos pacientes cometem o erro de tratar apenas a crise de dor com analgésicos de farmácia. O neurologista explica que o uso excessivo dessas medicações pode causar o efeito rebote, onde o remédio acaba se tornando o gatilho da próxima dor.

“Hoje, as possibilidades de tratamento são vastas. Temos desde medicações preventivas modernas e uso de toxina botulínica para enxaqueca crônica, até ajustes no estilo de vida e higiene do sono. O foco não é apenas tirar a dor, mas devolver a rotina ao paciente”, afirma o Dr. João Ricardo Leão.

Não normalize a dor

Viver com dor não é normal e pode afetar sua produtividade, seu humor e suas relações sociais. Se a dor de cabeça tem sido uma presença constante na sua semana, é hora de investigar a fundo.

A consulta com um especialista permite identificar os gatilhos específicos de cada organismo e traçar um plano de cuidado personalizado.

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