qua, 12 de agosto de 2026

Agressão brutal em enfermeira na UPA de Jales escancara violência contra profissionais

Uma enfermeira foi brutalmente agredida por uma acompanhante na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jales, na noite de 6 de maio. O incidente, ocorrido por volta das 23h, escancara a crescente violência contra profissionais da saúde e a sobrecarga do sistema público, em um cenário que adoece quem está na linha de frente do cuidado.

Segundo relatos, a agressora, uma acompanhante de paciente, demonstrou insatisfação com a demora na liberação do CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), processo que não depende da UPA, mas sim da regulação estadual e da disponibilidade de leitos. Em surto, ela se dirigiu ao posto de enfermagem, proferindo gritos e ofensas contra médicos e enfermeiros.

O que começou como uma explosão verbal escalou rapidamente para a agressão física. A mulher chutou a bandeja de uma técnica de enfermagem que se preparava para medicar um paciente, colocando em risco a segurança do atendimento. Em seguida, em um ato brutal, enforcou a enfermeira de plantão, jogando-a contra o próprio paciente que acompanhava. A profissional sofreu arranhões visíveis no pescoço, evidenciando a violência da agressão.

“Não consigo expressar o tamanho da minha indignação. Até quando nós, profissionais da saúde, vamos precisar suportar esse tipo de abuso? A enfermagem está no limite”, desabafou a enfermeira agredida, em uma declaração que reflete o esgotamento da categoria.

O caso em Jales não é um fato isolado, mas sim um retrato alarmante de um sistema de saúde em colapso. Profissionais da enfermagem, em particular, relatam estarem cansados, emocionalmente esgotados e adoecidos pelo descaso que afeta a população, mas com o agravante de estarem presos em um ciclo de trabalho exaustivo, invisibilidade institucional e, cada vez mais, violência física e verbal.

A UPA de Jales e seus profissionais, assim como em outras unidades de saúde do país, são as primeiras a lidar com a frustração e os gritos da população, a aguentar a sobrecarga de trabalho e as más condições, sem, contudo, ter controle sobre a disponibilidade de vagas ou o sistema de regulação. “A enfermagem não é culpada pela falta de vagas. A enfermagem não tem controle sobre o sistema de regulação. A enfermagem não é saco de pancadas”, clama o texto original que denunciou o caso.

A agressão na UPA de Jales, portanto, não é um incidente isolado contra uma profissional, mas um ataque simbólico a toda a categoria da enfermagem, que está sendo empurrada ao limite do sofrimento mental e físico. Diante desse cenário, a demanda por responsabilização dos agressores, por maior segurança nas unidades de saúde e por um posicionamento firme das autoridades torna-se cada vez mais urgente e inadiável.

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