qua, 12 de agosto de 2026

Vacina suspensa pelo SUS foi aplicada em 500 mil pessoas

O Ministério da Saúde suspendeu preventivamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue após o registro de complicações de saúde em uma pequena parcela dos vacinados. Entre janeiro e maio deste ano, 501 mil brasileiros receberam o imunizante de dose única. A grande maioria do público-alvo foi composta por profissionais da atenção primária à saúde, que concentraram 417,4 mil aplicações, enquanto as outras 83,6 mil doses foram distribuídas em ações de vacinação ampliada em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Tocantins.

O balanço do governo federal aponta que 3.703 pessoas — o equivalente a apenas 0,7% do total de vacinados — relataram reações leves e comuns à dengue, como febre alta, dores no corpo, manchas avermelhadas na pele, náuseas e cansaço. No entanto, o que ligou o sinal de alerta das autoridades sanitárias foi o surgimento de 42 casos considerados graves, marcados por dores abdominais fortes, vômitos frequentes e sangramentos. Desse grupo mais crítico, três pacientes necessitaram de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), e dois deles acabaram morrendo.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a interrupção da campanha foi decidida porque essas reações graves foram completamente inesperadas, uma vez que nenhum problema semelhante havia sido detectado durante as fases de testes clínicos com 16 mil voluntários que garantiram a aprovação da vacina pela Anvisa no ano passado. O ministro enfatizou que ainda não há nenhuma comprovação científica de que o imunizante causou os óbitos, mas a pausa é necessária para investigar os históricos médicos. O governo também esclareceu que a suspensão atinge apenas as doses produzidas diretamente pelo Instituto Butantan, não tendo qualquer relação com as parcerias firmadas com a empresa WuXi Vaccines para expandir a produção no país.

Os relatórios oficiais detalham que os três episódios mais graves aconteceram entre os meses de março e abril. O primeiro caso foi o de uma mulher de 39 anos que teve febre e dores musculares seis dias após ser vacinada; o quadro evoluiu para um estado de choque, mas ela se recuperou na UTI e recebeu alta. O segundo registro envolveu uma paciente de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave e contraiu meningoencefalite quase três semanas após a dose, evoluindo para óbito. O terceiro caso foi o de um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação e faleceu devido a um choque refratário. Diante desse cenário, a orientação atual do Ministério da Saúde para quem tomou a vacina nos últimos 21 dias é monitorar o próprio corpo e buscar socorro médico imediato se notar qualquer sinal de piora na saúde.

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