Tempestades de terra e estiagens refletem extremos climáticos na região de Rio Preto

Veja como a região de Rio Preto já sente os impactos das mudanças climáticas, segundo os especialistas

Uma extensa nuvem de terra que em poucos minutos é capaz de engolir uma cidade. Do outro lado, as estiagens cada vez mais prolongadas que secam represas e mostram ruínas da antiga Rubinéia que até então estava submersa. Impactos ambientais que já são sentidos pelos moradores da região de Rio Preto e, segundo especialistas, já representam o “novo normal” do clima regional.

O desmatamento e o modelo agrícola que fazem o Noroeste Paulista ter uma das menores taxas de vegetação nativa do Estado. Segundo o Inventário Florestal, atualmente, a região de Rio Preto concentra apenas 11,5% da cobertura vegetal nativa, junto com as queimadas, que bateram recorde neste ano, deixando Rio Preto diversos dias coberta pela fumaça, são apontados como os principais vilões para os extremos climáticos sentidos pelos moradores da região.

Se em julho o rio-pretense teve que encarar recorde de frio na década, com os termômetros marcando 4 graus, em agosto, foi a vez das queimadas deixarem o ar da cidade como o pior do Estado para respirar. Em contrapartida, em setembro, foi a vez do calor “rachar” até o solo de represas e fazer Rio Preto registrar 40,7 graus – a maior temperatura do ano.

Já outubro trouxe um novo extremo até então desconhecido regionalmente: tempestades de areia. Populares no deserto, elas atingiram três vezes a região nos últimos sete dias. O último registro aconteceu na região de Catanduva, no final da tarde de domingo, dia 3, assustando moradores e transformando o dia em noite.

Segundo o meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru José Carlos Figueiredo, a combinação das queimadas com os ventos fortes contribuem para formação das tempestades de areia. “Nunca houve tanta queimada como nos últimos três anos. Você tira a vegetação, fica a fuligem, aí vem a frente fria e transforma isso nas tempestades de areia”, relatou.

O coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, destaca o desmatamento e o modelo agrícola praticado na região de Rio Preto como fatores que também contribuem para a formação de tempestades de areia. “A típica monocultura da região começa a gerar uma pobreza no solo. Ele vai ficando mais cansado e perde a capacidade física de reter água”, alertou.

Com a terra mais seca e ventos que chegam a até 100 km/h, a formação de tempestades de areia se tornam comuns. A expectativa é que com a volta das chuvas e o solo menos arenoso elas parem de acontecer. Contudo, especialistas alertam que é necessário repensar os cuidados com o solo e incentivar florestas capazes de evitar a formação das tempestades em áreas descampadas.

“Temos visto que nos últimos 40 anos a seca está aumentando para outras regiões e as estiagens estão ficando mais longas. É preciso repensar sobre como estamos agindo no planeta”, destacou Barbosa.

Além da tempestade de areia, um temporal provocou quedas de árvores em cidades da região de Catanduva. Em Novais, ruas foram interditadas. Também houve estragos em Novo Horizonte.

“Caso ações não sejam adotadas, vamos ter recorrência de estiagem, ou seja, vai faltar mais água e em mais cidades. Os dias quentes vão ficar mais quentes, e os dias sem chuvas mais recorrentes. E quando vierem as estações das chuvas, chegarão concentradas, ou seja, muita chuva em um curto espaço de tempo”, finalizou o climatologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Francisco Aquino.

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