qua, 12 de agosto de 2026

Relatório final sobre queda de avião que matou médica formada em Fernandópolis aponta falhas em série

A investigação da Força Aérea Brasileira sobre a queda do avião da Voepass, tragédia ocorrida em 9 de agosto de 2024 que deixou 62 mortos, foi oficialmente concluída apontando um conjunto de falhas graves que envolvem a companhia aérea, a aeronave, a tripulação e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O caso mobilizou profundamente os moradores de Fernandópolis, cidade onde vivia e atuava uma das vítimas do acidente, a médica Arianne Albuquerque Estevam Risso, de 34 anos.

Arianne construiu sua trajetória profissional em Fernandópolis, onde se formou em medicina e trabalhou em diversas unidades de saúde do município. Ela havia se mudado para Cascavel, no Paraná, acompanhada de seu marido, o fernandopolense Leonardo Risso, para realizar uma especialização na área de oncologia. O sepultamento da médica ocorreu na própria cidade, no Cemitério da Consolação, sob forte comoção local após homenagens prestadas na Igreja Batista de Fernandópolis. Sua mãe, Fátima Albuquerque, preside atualmente a associação das famílias das vítimas e tem sido uma voz ativa na cobrança por justiça e por mudanças na fiscalização da aviação no país.

De acordo com o relatório final elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o acidente foi impulsionado por 15 fatores determinantes. O documento revelou que a aeronave decolou com componentes em mau funcionamento, incluindo o sistema de degelo das asas, essencial para o voo em condições climáticas adversas. Os investigadores identificaram ainda uma cultura de informalidade na empresa, caracterizada pela omissão de avarias nos diários de bordo e reuso de peças defeituosas, além de falhas na atuação dos pilotos durante os momentos críticos e da falta de rigor na supervisão exercida pela Anac.

Com as conclusões divulgadas pelo órgão aeronáutico, os familiares das vítimas e a comunidade acompanham agora o desdobramento do inquérito conduzido pela Polícia Federal. A expectativa das famílias é de que o detalhamento técnico apresentado pelo Cenipa sirva de base para a responsabilização criminal dos envolvidos na gestão e fiscalização do voo.

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