Antes de ser encontrado vivendo nas ruas, Carlão tinha uma história, uma família, uma profissão, amigos e uma filha.
Carlos Endrico Alves de Almeida, de 49 anos, conhecido como Carlão da Academia, foi morto de forma brutal na tarde desta quarta-feira (9), durante uma briga na Praça Cívica, na região da Concha Acústica, em Votuporanga.
A reportagem do VotuNews foi atrás de pessoas que conheceram Carlão para contar um pouco da história por trás do homem que, nos últimos anos, passou a ser visto diariamente pelas ruas de Votuporanga.
Carlão vinha de uma família muito tradicional de Macaubal (SP). Era filho, irmão, sobrinho, pai e amigo. Pessoas próximas o descrevem como um homem alegre, extrovertido e que tinha facilidade para fazer amizades.
A família possui forte ligação com a cidade de Macaubal, inclusive nas áreas política e comercial. Um de seus tios chegou a ocupar o cargo de prefeito do município. Os irmãos construíram suas vidas no comércio e, durante uma fase de sua trajetória, Carlão também teve seu próprio negócio.
Formado em Educação Física, ele chegou a ser proprietário de uma academia em Macaubal. Foi justamente nesse período que ganhou o apelido de Carlão da Academia, nome pelo qual continuou sendo reconhecido por muitas pessoas.
Carlão também deixou uma filha.
Mas, ao longo dos anos, sua vida tomou outro caminho. Ele passou a enfrentar problemas relacionados ao uso de drogas e ao consumo de bebidas alcoólicas. Segundo pessoas próximas ouvidas pelo VotuNews, a família tentou ajudá-lo de diferentes maneiras e nunca deixou de oferecer apoio. Ele chegou a ser internado em algumas oportunidades na tentativa de superar os problemas e retomar a própria vida.
Nos últimos tempos, porém, acabou vivendo em situação de rua em Votuporanga.
Quem circula pelo centro da cidade provavelmente já o viu. Carlão era presença conhecida na região da Concha Acústica, Praça São Bento, Terminal Rodoviário e em outros pontos da área central.
Para muitos, era apenas mais um homem vivendo nas ruas. Para quem o conheceu antes, porém, havia ali uma história muito maior.
Havia um professor de Educação Física. Um empresário. Um filho. Um irmão. Um sobrinho. Um pai. Um amigo. Um homem que um dia teve planos, trabalho, família e uma rotina completamente diferente daquela que passou a levar nos últimos anos.
Um fim trágico
Na tarde de quarta-feira, essa história terminou de maneira violenta.
Carlão se envolveu em uma briga com outro homem em situação de rua na Praça Cívica. Durante a confusão, foi atingido por golpes de faca e também sofreu golpes na cabeça com uma placa de ferro.
Uma equipe do SAMU foi acionada e prestou atendimento. Carlão chegou a ser levado para a UPA de Votuporanga, mas não resistiu aos ferimentos.
O suspeito fugiu após o crime.
A Polícia Militar iniciou imediatamente as buscas e manteve o patrulhamento durante a noite. Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (10), policiais da Atividade Delegada localizaram o suspeito às margens da Rodovia Euclides da Cunha, nas proximidades do Parque da Cultura.
O homem foi preso e levado ao Plantão Policial. Durante as diligências, os policiais também localizaram a placa de ferro que teria sido utilizada para atingir a vítima.
A despedida
Depois de uma vida marcada por momentos bons, dificuldades, tentativas de recomeço e, nos últimos anos, pela situação de rua, Carlão voltou para Macaubal para sua última despedida.
O corpo de Carlos Endrico Alves de Almeida foi sepultado às 11h desta quinta-feira (10), no Cemitério Municipal de Macaubal.
Carlão morreu nas ruas, mas sua história não começou ali.
Por trás de cada pessoa em situação de rua existe uma história que começou muito antes das calçadas, das praças e das noites ao relento.
E, no caso de Carlão, fica também a história de um homem que foi filho, irmão, pai, amigo, profissional e empresário — e que deixa uma filha, familiares e pessoas que conviveram com ele ao longo da vida.
Reportagem: VotuNews
Reprodução somente com autorização da redação.












