Policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Deic prenderam, nesta quinta-feira (26), o professor Israel Lisboa Júnior, condenado pelo atropelamento de manifestantes ocorrido em novembro de 2022, na Rodovia Washington Luís, em Mirassol. A prisão ocorre após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmar a condenação em segunda instância e determinar o início imediato do cumprimento da pena em regime fechado. A decisão, proferida pela 14ª Câmara de Direito Criminal, ratificou a sentença de 8 anos e 2 meses de reclusão por tentativa de homicídio, atendendo parcialmente ao pedido do Ministério Público para endurecer o regime de prisão.
O caso de grande repercussão aconteceu durante os bloqueios rodoviários que sucederam as eleições presidenciais de 2022. Na ocasião, um grupo de apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro interditava a pista quando foi atingido por um Volkswagen Fox conduzido pelo professor. Ao todo, 16 pessoas foram atingidas pelo veículo e sete ficaram feridas. Israel chegou a ser preso em flagrante no dia do episódio, mas obteve o direito de responder ao processo em liberdade após quatro meses de detenção, situação que se manteve até o julgamento pelo Tribunal do Júri em setembro de 2025.
Durante o processo, a defesa do professor sustentou a tese de legítima defesa, alegando que o réu não teve a intenção de matar. Segundo os advogados, Israel tentava levar a mãe a uma consulta médica quando teve o carro cercado e depredado pelos manifestantes, agindo por desespero para sair do local. A defesa também solicitou que a pena fosse cumprida em regime semiaberto, argumentando que as circunstâncias do conflito justificariam uma punição menos severa. No entanto, o Ministério Público rebateu os argumentos, reforçando a gravidade da conduta e a necessidade da prisão em regime fechado.
Ao analisar o recurso, a relatora do caso no TJ-SP, Fátima Gomes, destacou que medidas mais brandas seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos e do risco gerado à vida das pessoas na rodovia. Embora o colegiado tenha ponderado que não houve intenção individualizada de atingir cada uma das 16 pessoas, a manutenção da condenação por tentativa de homicídio foi unânime entre os desembargadores. Com a expedição do mandado de prisão, o professor foi encaminhado ao sistema prisional, enquanto sua defesa informou que pretende recorrer da decisão nas instâncias superiores em Brasília.












