Produtores da região de Fernandópolis apostam na maçã Eva

De importador de maçã nas últimas três décadas, o Brasil passou a fornecedor ao mercado internacional e a produção aumentou por vários estados. De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), o Brasil possui 33 mil hectares de pomares de maçã, uma produção anual próxima a 1,35 milhão de toneladas. Produtores da região de Fernandópolis foram buscar a muda da variedade eva, Paraná, que é mais resistente ao clima seco. Eles afirmaram que estão na expectativa de rentabilidade com a comercialização da fruta, normalmente mais adaptada ao clima frio.

A Associação Brasileira de Produtores de Maçã aponta ainda que a produção da fruta gerou R$ 6 bilhões de economias para o País e mais de 150 mil empregos diretos e indiretos nas últimas décadas. Hoje, a cada dez maçãs consumidas no Brasil, nove são nacionais. A fruta é a terceira de maior consumo no País, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Fica atrás apenas da banana e da laranja. Para os produtores rurais da região de Fernandópolis, todo este cenário de produção da maçã foi importante para diversificar a produção de outras frutas que já eram cultivadas.

No pomar de laranja, banana e mamão o fruticultor José Júnior Taroco, de São João das Duas Pontes, cidade vizinha a Fernandópolis, se animou com a variedade de maçã adaptada ao clima seco e a longas estiagens, como ocorre na região do Noroeste do Estado de São Paulo. “Deram-nos esperanças para o plantio das mudas e cultivo da fruta, agregando valor à produção e venda”.

Acostumado com as incertezas da roça, que depende muito do clima para o desenvolvimento das lavouras, Taroco lembra que é a segunda geração de agricultores da família e que já teve tempos melhores quando a seca da região não era tão severa, como a dos últimos anos. “Consegui formar um filho médico e outro será advogado. Eles não quiseram saber da roça, querem que eu venda o sítio”, afirma, enquanto procura palavras para descrever os prejuízos com a perda do pomar de mamão.

Com a comercialização das frutas destinada 100% para a merenda escolar, Taroco disse que a pandemia interferiu muito na atividade com o fechamento das escolas e diminuiu a renda da família em 70%. “Ainda fornecemos um pouco de alimentos para as famílias carentes, mas não se compara com a merenda quando funcionava normalmente”.

A produção de 200 mudas de maçã, da variedade eva, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do estado do Paraná, onde Taroco comprou as mudas da macieira, estão ainda em etapa de produção menor. Ele explicou que a partir do quarto ou quinto ano a colheita será possível com uma produção maior. “Hoje estou colhendo um pouco, mas a partir da primavera, quando a florada da árvore for maior, vou ter mais maçãs”. O manejo da macieira também não é tão simples e exige, conforme o fruticultor, inúmeras podas e pelo menos quatro horas diárias de tempo mais frio no período da noite.​​​​​​​

Mercado se apresenta como promissor
A macieira é uma árvore que se adapta bem ao clima temperado e depende de um acúmulo de horas de frio menor ou igual a 7°C, como afirmou o engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), de Jales, Gilberto Pellinzon. Ele destacou que a cultura possui importância agrícola no mundo todo e que o Brasil é o 12º produtor mundial de maçãs. “Pode sim ser um bom mercado para a produção da fruta por parte dos produtores da região”.

Por ser a maçã uma fruta bastante consumida em muitos países, Gilberto disse também que há mais estudos sobre a cultura e que os produtores devem buscar adaptar o manejo e às condições climáticas da variedade eva que estão cultivando. “É ainda uma fruta que possui durabilidade maior, o produtor pode produzir o ano todo e armazenar em câmara fria”.

O produtor rural Rodrigo Binhardi cultiva 200 pés de maçã da variedade em Meridiano, na região de Fernandópolis. “O agricultor sempre precisa buscar uma saída para aumentar o rendimento e procuramos, com a maçã, diversificar a produção de frutas”, afirma. Ele contou que a maçã se adaptou bem ao clima da região. “Este tipo de variedade não se dá bem com o frio não, mas é preciso ter um clima de 60 a 70 horas por ano mais frio para a fruta se desenvolver bem”, destacou.

O mais complicado, segundo Rodrigo, é a poda, e também, proteger a fruta da geada. Foram dois episódios de geada no mês passado e neste mês que afetaram a maçã, como afirmo produtor. O pouco de produção da colheita de Rodrigo, ele diz que já foi possível comercializar a preços de R$ 1,80 a R$ 2,20 o quilo. A expectativa com o cultivo da maçã também é boa para o fruticultor, que comercializa banana em grande parte do pomar e agora está investindo em outras culturas.

Em fase de experiência com a plantação de maçã, o agricultor Vanderlei Pinho também espera colher mais frutas nos próximos anos e diz que ainda não sabe calcular de quanto será a produtividade por árvore. Na propriedade de 15 hectares, em Meridiano, Pinho plantou 100 mudas da maçã depois que um grupo de produtores trouxe a muda do Paraná.

O sabor da fruta da variedade Eva é semelhante ao da maçã Fuji, mas Pinho disse que as poucas frutas colhidas ainda não são suficientes para avaliar a colheita ou a qualidade do fruto. “O clima também não está ajudando a produção, como a de outras culturas, já que por aqui não vemos chuva desde o início do mês de abril”, pontua. A escolha pela fruta também é para diversificar o pomar, que já possui frutas como laranja, limão, mamão, entre outras culturas de seringueira e de mandioca.

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