Presidente da Turquia diz que seguirá com ataque aos curdos na Síria, mesmo com pressão dos EUA

A Turquia ainda acusou as forças curdas de liberar de forma voluntária integrantes do grupo Estado Islâmico para ‘semear o caos’ na região.

A operação militar da Turquia no norte da Síria continuará até que “alcance seus objetivos”, apesar da pressão exercida pelos Estados Unidos para que termine, afirmou nesta terça-feira (15) o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

“Vamos continuar nossa luta até que alcance os objetivos que estabelecemos”, disse Erdogan em um discurso em Baku.

Os Estados Unidos anunciaram sanções contra integrantes do governo da Turquia na segunda-feira (14), após os recentes ataques de militares turcos a bases curdas no nordeste na Síria.

Há uma semana, o presidente Donald Trump retirou tropas norte-americanas da região que lutavam ao lado dos curdos contra o Estado Islâmico, o que abriu caminho para uma ofensiva turca.

As sanções afetam dois ministros e três funcionários do alto escalão do governo de Erdogan na Turquia.

Quem mantiver relações econômicas com essas pessoas poderá ser sofrer punições também.

As sanções, porém, não foram suficientes para que Trump agradasse aliados contrários às retiradas das tropas norte-americanas.

O governo britânico anunciou, nesta terça-feira (15) a suspensão das exportações militares à Turquia.

Extremistas do Estado Islâmico

Em um artigo publicado no “Wall Street Journal”, Erdogan escreveu que a Turquia impedirá a saída dos milicianos do grupo extremista Estado Islâmico (EI) do nordeste da Síria. “Garantiremos que nenhum miliciano do EI abandone o nordeste da Síria”, destacou Erdogan.

Há milhares de suspeitos de integrar o EI detidos sob a custódia da milícia curda YPG, alvo dos turcos, o que provocou uma preocupação internacional sobre o destino dos prisioneiros.

“Estamos dispostos a cooperar com os países de origem (dos jihadistas presos) e as organizações internacionais para uma reinserção das esposas e filhos de milicianos terroristas estrangeiros” escreveu Erdogan.

A Turquia acusou na segunda-feira (14) as forças curdas de liberar de forma voluntária diversos integrantes do Estado Islâmico para “semear o caos” na região.

As autoridades curdas afirmaram no domingo que quase 800 parentes de integrantes do EI fugiram de um campo de detenção do norte da Síria, aproveitando a confusão criada pela ofensiva turca.

Em uma mensagem em uma rede social, o presidente americano Donald Trump deu a entender que tem a mesma opinião do governo turco. “Os curdos poderiam estar liberando alguns presos para obrigar o nosso envolvimento”, escreveu.

Erdogan criticou os países ocidentais que pretendem dar “lições à Turquia sobre como lutar contra o EI hoje e tenham sido incapazes de deter o fluxo de milicianos estrangeiros entre 2014 e 2015”.

Jihadistas de outras nações

De acordo com estimativas curdas, quase 12 mil suspeitos estão em prisões no nordeste da Síria. Deste grupo, 2.500 não são sírios nem iraquianos. A ONG Human Rights Watch alertou os países europeus nesta terça-feira (15) sobre o risco de transferir suspeitos jihadistas estrangeiros das prisões do norte da Síria para o Iraque.

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