A Polícia Civil de São José do Rio Preto instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente que vitimou o mecânico Jossimar de Jesus Souza, de 39 anos, conhecido como “Baiano”. O caso ocorreu no último sábado (21), na pista de arrancada pública mantida pela Secretaria de Esportes. A investigação foca na ausência de sinalização adequada e na falta de áreas de segurança, como zonas de amortecimento e barreiras físicas, que poderiam ter evitado que a motocicleta ultrapassasse os limites do asfalto.
Imagens registradas por testemunhas mostram o momento em que a vítima, pilotando uma motocicleta de mil cilindradas, acelerou em alta velocidade pelo trajeto de 600 metros. Sem conseguir frear a tempo, a moto saiu da pista e colidiu violentamente contra uma cerca de arame. O impacto foi fatal. O acidente aconteceu por volta das 17h40, cerca de 40 minutos após o encerramento oficial de um evento de arrancada que havia sido autorizado pela prefeitura. O organizador da competição esclareceu que o evento era restrito a carros e que todas as exigências contratuais, como a presença de ambulância, foram cumpridas durante o horário estipulado.
A tragédia trouxe à tona discussões sobre a segurança do local. Em junho do ano passado, a própria Secretaria de Obras admitiu, após questionamentos do Legislativo, que a pista havia sido entregue de forma incompleta pela gestão anterior. Entre as pendências citadas estavam justamente a construção de barreiras de proteção e a sinalização de término da pista. Mesmo ciente dessas carências, a Secretaria de Esportes continuou liberando o espaço para eventos oficiais, o que agora é alvo de questionamentos pela Polícia Civil.
Em visita ao local nesta segunda-feira (23), foi constatado que a pista permanece com acesso livre para qualquer pessoa ou veículo, sem portões ou vigilância permanente. Moradores da região relatam que o espaço é usado diariamente para manobras arriscadas e rachas clandestinos. Em nota, a Secretaria de Esportes afirmou que o local é um espaço público aberto e que está apurando as circunstâncias do uso da pista no dia do acidente, mas não detalhou por que as obras de segurança ainda não foram concluídas ou se haverá interdição para adequações futuras.
Jossimar, que era proprietário de uma oficina mecânica na cidade e descrito por amigos como um piloto experiente, foi sepultado nesta segunda-feira no cemitério São João Batista. Enquanto a comunidade lamenta a perda, o inquérito policial deve ouvir organizadores, testemunhas e representantes da prefeitura para definir as responsabilidades administrativas e criminais sobre a segurança do equipamento público.












