A Polícia Civil localizou e apreendeu mais um veículo de luxo ligado ao grupo criminoso que é alvo da Operação “Destino Oculto”. A ação ocorreu nesta quarta-feira na cidade de Fernandópolis, com o suporte de policiais militares ambientais. O automóvel, um utilitário esportivo importado de alto padrão avaliado em aproximadamente 300 mil reais, pertence a uma empresa associada a uma influenciadora digital da região, conhecida pelo apelido de “Deolane de Rio Preto”. Atualmente, a criadora de conteúdo reside em Orlando, nos Estados Unidos. O carro já estava sendo procurado pelas autoridades por suspeita de ser utilizado para esconder o patrimônio do grupo, e a apreensão faz parte de uma força-tarefa para recuperar os bens financeiros da organização.
A megaoperação começou a ser desenhada a partir de uma história trágica ocorrida em setembro do ano passado, quando um homem de 39 anos tirou a própria vida após perder cerca de 1,8 mil reais em apostas na internet. O caso deu início a uma apuração minuciosa que durou seis meses e revelou uma complexa rede de lavagem de dinheiro sustentada pela exploração de jogos de azar online. Segundo as investigações coordenadas pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto, a influenciadora digital exercia um papel fundamental no esquema, sendo a responsável por atrair e engajar novos apostadores para as plataformas digitais, incluindo o popular “Jogo do Tigrinho”.
O tamanho da movimentação financeira do grupo impressionou as autoridades. A polícia estima que o esquema, que envolve contas bancárias em nome de empresas, intermediários e familiares da influenciadora, tenha movimentado quase 100 milhões de reais para mascarar a origem do dinheiro. Por conta disso, a Justiça determinou o bloqueio imediato de cerca de 86 milhões de reais pertencentes aos envolvidos. Na primeira fase da operação, deflagrada na última segunda-feira com buscas em condomínios de alto padrão em Rio Preto e Olímpia, os agentes já haviam apreendido outros cinco carros de luxo, dinheiro em espécie — tanto em reais quanto em dólares —, documentos importantes e aparelhos eletrônicos. Um mandado de busca também foi cumprido na residência do contador do grupo, suspeito de gerenciar a engenharia financeira do negócio.












