Uma ação da Polícia Civil desarticulou uma organização criminosa especializada em aplicar golpes financeiros contra idosos em diferentes regiões do estado de São Paulo. Batizada de “Cash Face”, a ofensiva foi coordenada pela Delegacia de Investigações Gerais, a DIG, de Catanduva, com o suporte de equipes policiais do interior e da capital. A operação resultou na prisão temporária de cinco suspeitos e no bloqueio judicial de até R$ 3 milhões em bens e contas bancárias dos investigados, uma medida adotada para tentar garantir a devolução do dinheiro às vítimas e evitar que o patrimônio ilegal seja escondido.
O grupo utilizava uma estratégia enganosa e sofisticada que misturava simulação e tecnologia para invadir as finanças das vítimas. Os golpistas iam pessoalmente até as residências dos idosos vestindo uniformes e portando crachás falsos, fingindo ser funcionários de planos de saúde ou de grandes empresas. Sob o falso pretexto de realizar uma atualização cadastral obrigatória de rotina, os criminosos coletavam as informações pessoais dos moradores e tiravam fotos de seus rostos, alegando que o registro era necessário para o sistema de biometria. De posse das fotos e dos documentos, a quadrilha conseguia abrir contas falsas em bancos digitais, contratar empréstimos e transferir todo o saldo das vítimas por meio do Pix.
Durante os trabalhos, que mobilizaram dezenas de policiais e viaturas, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. Os agentes recolheram computadores, celulares, pen drives, além de fichas de atendimento médico e crachás falsificados que eram usados para dar credibilidade às visitas. Os cinco presos passaram por exames médicos de rotina e foram encaminhados para audiência de custódia, onde ficarão à disposição da Justiça. Eles poderão responder por crimes graves, como estelionato qualificado, associação criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documentos falsos.
Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão encaminhados para perícia técnica, onde especialistas farão a extração de dados e mensagens. A equipe de investigação da DIG de Catanduva suspeita que a quantidade de aposentados lesados e o prejuízo financeiro total sejam ainda maiores do que o descoberto inicialmente. Por esse motivo, as investigações continuam com o objetivo de identificar e capturar outros integrantes que possam fazer parte da mesma rede criminosa.












