Na Rússia: Laboratório que armazena vírus explode e causa incêndio

O Centro Estatal de Pesquisa em Virologia e Biotecnologia, conhecido como “Vector”, é conhecido por armazenar vírus de doenças como varíola, HIV e ebola, segundo o jornal “The Guardian”.

Uma explosão de gás provocou um incêndio em um centro de pesquisa na cidade de Koltsovo, próxima de Novosibirsk, na Rússia, ontem (16), anunciaram as autoridades locais. Uma pessoa sofreu queimaduras de terceiro grau e foi levada ao hospital.

A explosão ocorreu em uma sala de inspeção que estava em reparo, no 5º andar do laboratório, e o incêndio se espalhou pelo sistema de ventilação do edifício antes de ser extinto.

O Centro Estatal de Pesquisa em Virologia e Biotecnologia, conhecido como Vector, é conhecido por armazenar vírus de doenças como varíola, HIV e ebola, segundo o jornal “The Guardian”. O lugar sediava pesquisas secretas de armas biológicas durante a era soviética e agora é um dos principais centros de pesquisa de doenças da Rússia.

Segundo o anúncio oficial, a estrutura do edifício não foi danificada e o fogo não expôs os vírus ao exterior. O prefeito de Koltsovo disse que o laboratório não contém amostras de vírus no momento por causa dos trabalhos de reparo que estão sendo feitos.

O Vector é um dos dois únicos laboratórios em todo o mundo a guardar o vírus da varíola. O outro pertence ao CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) e fica em Atlanta.

O laboratório também já armazenou formas altamente contagiosas de gripe aviária e cepas de hepatite.

De acordo com o especialista Joseph Kam, do Centro Stanley Ho de Doenças Infecciosas Emergentes, em Hong Kong, o fogo seria quente o suficiente para destruir os vírus, mas uma explosão poderia espalhá-los e haveria risco de contaminação daqueles na sala ou na área próxima. “Parte da onda da força da explosão levaria [o vírus] para longe do local de armazenamento”, declarou Kam à rede de televisão americana CNN.

A zona de contaminação pode variar de 10 a algumas centenas de metros, dependendo do tamanho da explosão e de outros fatores, como velocidade e direção do vento, e se o vírus pode ser transmitido pelo ar (em casos raros, o da varíola pode ser transmitido assim; não é o caso do HIV e do ebola, segundo a OMS).

O incidente de segunda (16) não foi o primeiro no Vector. Em 2004, uma pesquisadora morreu no complexo depois de ser picada acidentalmente com uma agulha que carregava o vírus do ebola. A mídia russa alegou que era a única morte por causa do vírus na história do país.

Surtos de antraz e varíola foram causados por programas soviéticos de desenvolvimento de armas na década de 1970 e depois encobertos pelo governo, diz o “The Guardian”.
O laboratório foi ameaçado pela falta de financiamento nos anos 90, levantando preocupações de que os pesquisadores pudessem vender seus conhecimentos ou amostras biológicas reais a governos como o do Iraque e da Coreia do Norte. Nos anos 2000, o Vector também deu treinamento sobre como responder a um possível ataque terrorista.
Em 2006, um esconderijo de armas, incluindo lançadores de granadas, supostamente pertencentes a um grupo da máfia, foi encontrado próximo à instalação.

Acidente em base militar

No mês passado, autoridades russas demoraram a divulgar informações sobre uma explosão em um local de testes militares que causou um aumento nos níveis de radiação na região de Arkhangelsk. A explosão ocorreu quando um foguete movido a líquido com material nuclear explodiu, matando cinco pessoas.

Inicialmente, o governo afirmou que nenhum elemento químico prejudicial foi liberado na atmosfera e que os níveis de radiação não mudaram. Autoridades da cidade vizinha de Severodvinsk relataram, entretanto, o que descreveram como um breve pico de radiação.

FONTE: Informações | G1

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