qua, 12 de agosto de 2026

Morte instantânea em emboscada e policiais suspeitos: confira o passo a passo da morte de homens que saíram de SP para cobrar dívida no PR

Suspeitos são Antonio Buscariollo e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, que continuam foragidos. Vítimas foram encontradas mortas depois de mais de um mês de buscas.

A Polícia Civil (PC-PR) divulgou nesta quarta-feira (10) os detalhes sobre a dinâmica do assassinato dos quatro homens que saíram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para cobrar uma dívida em Icaraíma, no noroeste do Paraná.

A investigação apurou que as vítimas foram mortas instantaneamente em uma emboscada, ainda dentro do carro. Dois policiais civis também estão sendo investigados por serem suspeitos de repassar informações que facilitaram a fuga dos foragidos.

A investigação sobre as mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza completou quatro meses no dia 5 dezembro.

Os principais suspeitos do crime são Antonio Buscariollo, de 66 anos, e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22. A Polícia Civil (PC-PR) considerado os dois como foragidos desde o dia 9 de agosto.

Segundo a polícia, Alencar contratou o serviço de cobrança com Diego, pelo custo de 50% do valor da dívida.

Os cobradores chegaram a Icaraíma na tarde do dia 4 de agosto e foram com Alencar até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas não chegaram a um acordo.

No dia seguinte, por volta das 10h26, os quatro homens vão novamente até Vila Rica para cobrar a dívida, mas não encontram os Buscariollo e retornam à Icaraíma.

Por volta das 12h04 do dia 5 de agosto, os quatro homens voltam a Vila Rica, com uma Fiat Toro. A investigação da polícia apurou que as vítimas foram mortas assim que chegaram na propriedade rural que era objeto da dívida, por volta das 12h30.

“Possivelmente, foram alvos de uma emboscada, com o início dos disparos quando eles ainda estavam dentro do veículo Fiat Toro, chegando no local. Foram realizados disparos de, ao menos, cinco armas de fogo, de calibres diversos, deflagrados de três pontos distintos, atingindo o veículo na parte da frente, parte traseira e pelo lado esquerdo”, afirma a polícia.

A investigação reuniu um conjunto de indícios que indicam que os quatro homens não foram sequestrados, nem mantidos em cativeiro ou torturados, pois as mortes foram instantâneas.

Após serem assassinados, de acordo com a polícia, os quatro homens foram levados, dentro do próprio carro, até a cova onde eles foram enterrados. Em seguida, o veículo foi levado até o bunker e enterrado.

A investigação reuniu um conjunto de indícios que indicam que os quatro homens não foram sequestrados, nem mantidos em cativeiro ou torturados, pois as mortes foram instantâneas.

Após serem assassinados, de acordo com a polícia, os quatro homens foram levados, dentro do próprio carro, até a cova onde eles foram enterrados. Em seguida, o veículo foi levado até o bunker e enterrado.

A investigação reuniu um conjunto de indícios que indicam que os quatro homens não foram sequestrados, nem mantidos em cativeiro ou torturados, pois as mortes foram instantâneas.

Após serem assassinados, de acordo com a polícia, os quatro homens foram levados, dentro do próprio carro, até a cova onde eles foram enterrados. Em seguida, o veículo foi levado até o bunker e enterrado.

“Essa conclusão é possível porque os disparos foram realizados, possivelmente, quando as vítimas ainda estavam na Fiat Toro, atingindo regiões vitais (cabeça e tórax), o que torna remota a possibilidade de sobrevida para manutenção em cativeiro. […] Ainda, a localização de pedaços do veículo Fiat Toro na cova onde as vítimas estavam aponta que os corpos foram retirados às pressas da Fiat Toro e colocados na cova, logo após a execução. Há imagens de câmeras de segurança que foram obtidas pela Polícia Civil que mostram o veículo Fiat Toro seguindo em direção ao local da cova logo após a execução, robustecendo a tese de que houve morte instantânea, seguida do enterro dos corpos e do veículo”, diz a polícia.

As imagens de câmera de segurança não foram divulgadas pela polícia. Segundo o delegado Gabriel Menezes, as informações relacionadas a autoria do crime ainda seguem em investigação.

Os laudos de necropsia dos corpos dos quatro homens revelaram que eles foram encontrados em estado de saponificação — que é uma reação química que interrompe a decomposição natural, preservando os corpos das vítimas. Segundo o relatório da polícia, isso foi possível em razão das características do solo em que eles foram enterrados. Veja detalhes dos laudos abaixo:

  • Robishleu Hirnani de Oliveira: Foi morto com três tiros nas costas, um na cabeça, um no braço e dois no tórax. Um projétil ainda estava alojada na cabeça;
  • Diego Henrique Affonso: Morto com nove disparos, sendo um na cabeça, seis no tórax, dois nos braços. Dois projéteis eum fragmento foram encontrados no corpo dele;
  • Rafael Juliano Marascalchi: Morto com seis tiros, sendo três na cabeça, dois no tórax e um na perna;
  • Alencar Gonçalves de Souza Giron: Um tiro na cabeça.

Perto dos corpos também foram encontradas peças da Fiat Toro, o que segundo o delegado, indica que os suspeitos agiram com rapidez para enterrar as vitimas.

O laudo ainda concluiu os tiros foram disparados de pelo menos três pontos diferentes e foram usadas ao menos cinco armas, sendo uma delas um fuzil. Por isso, a polícia afirma que trabalha com a linha de investigação de que pelo menos cinco pessoas participaram do crime.

g1 entrou em contato com os advogados que representam os suspeitos e os familiares das vítimas, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.

Políciais civis foram alvos de mandados de busca e apreensão

Na terça-feira (9), dois policiais civis de Icaraíma foram alvos de mandados de busca e apreensão, por serem suspeitos de passar informações que facilitaram a fuga dos investigados. O caso foi informado à Corregedoria da Polícia Civil, que apura a situação.

“O que se busca apurar é, se após o crime, os investigados tiveram algum benefício com informações que possam ter facilitado a fuga ou destruição de vestígios para prejudicar as investigações”, informou a polícia.

Segundo o delegado, os agentes podem responder pelo crime de favorecimento pessoal e corrupção. Também serão investigados na esfera administrativa e, se confirmada a ação, poderão ser demitidos.

Até a última atualização desta reportagem, a polícia informou que eles foram realocados de delegacia, mas não informou em qual unidade estão.

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