O Ministério Público de Santa Catarina solicitou, nesta terça-feira, o arquivamento das investigações sobre o caso do cão Orelha, que foi submetido à eutanásia em Florianópolis após ser encontrado com ferimentos. Após uma análise detalhada que incluiu perícias técnicas, depoimentos e o exame de câmeras de segurança, os promotores concluíram que não houve maus-tratos. De acordo com o órgão, as evidências apontam que o animal já enfrentava um quadro de saúde muito grave e crônico antes de morrer, descartando qualquer agressão humana.
Um dos pontos decisivos para o pedido de arquivamento foi a correção do fuso horário das câmeras de segurança. A investigação inicial apontava um adolescente como suspeito, mas a perícia descobriu que os relógios do condomínio estavam adiantados em cerca de 30 minutos. Com o ajuste, ficou comprovado que o jovem e o cachorro estavam em locais distantes no momento em que a suposta agressão teria ocorrido. Além disso, gravações mostraram o animal caminhando normalmente quase uma hora depois do horário do suposto ataque, o que enfraquece a tese de violência.
Laudos veterinários e a exumação do corpo do animal também foram fundamentais para esclarecer o ocorrido. Os peritos não encontraram fraturas ou lesões que indicassem pancadas ou agressões. Em vez disso, os exames revelaram uma infecção óssea severa no maxilar, problemas dentários avançados e uma lesão antiga no crânio causada por um processo infeccioso de longo prazo. A situação de vulnerabilidade sanitária foi reforçada pelo fato de que a cadela que vivia com Orelha, chamada Pretinha, morreu pouco tempo antes devido à doença do carrapato.
Além de encerrar o caso por falta de provas de crime, o Ministério Público pediu que a Corregedoria da Polícia Civil analise possíveis irregularidades cometidas durante a apuração policial. O órgão também quer investigar o vazamento de informações sigilosas sobre o adolescente envolvido e a possível criação de notícias falsas na internet para gerar lucro. O CyberGAECO, grupo especializado em crimes cibernéticos, deve apoiar a identificação de perfis que possam ter monetizado conteúdos enganosos sobre o episódio nas redes sociais.












