‘Menos drogas nas ruas, significa menos violência’, afirma o delegado da DISE, Rafael Latorre

Conheça a trajetória do jovem delegado de polícia que atualmente lidera a delegacia especializada antidrogas de Votuporanga

Há alguns anos o cenário policial de Votuporanga e região ganhou um novo personagem: o jovem delegado Rafael Latorre Costa. Conciso está sempre envolvido em operações de grande vulto e que marcam pela complexidade, atualmente lidera a DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) votuporanguense. 

Ao Diário, Rafael que é votuporanguense nato, irmão de Thiago Latorre Costa, também delegado de polícia, em Santa Helena de Goiás/GO, contou sobre sua trajetória: “Sempre quis trabalhar em Votuporanga. Sou nascido em Votuporanga, e ainda quando era criança meu pai que trabalhava na CESP [Companhia Energética de São Paulo] foi transferido para Nhandeara/SP, e então fui criado em Nhandeara. Saindo já na época da faculdade, quando cursei Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).” 

“Depois, prestei o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), atuei por dois anos como advogado, que é uma exigência do concurso, e prestei concursos para delegado de polícia aqui no Estado de São Paulo e concomitantemente lá no Estado do Tocantins. Então aí fui aprovado lá e aprovado aqui. Aí preferi ficar mais próximo da família”, emendou. 

Em seguida, o delegado detalha seu percurso até Votuporanga, ou seja, seu caminho dentro da corporação: “Após o curso eu assumi minha primeira delegacia que foi em Buritama. E Buritama faz parte do Deinter 10. Nós temos divisões por Deinter, por regiões, dentro da Polícia Civil. E o meu interesse sempre foi em trabalhar em Votuporanga, então eu fui em busca desse objetivo. Consequentemente, abriu vaga em Estrela d’Oeste. E Estrela d’Oeste já fica dentro do Deinter 5, que é a nossa região. Então eu precisei ir para lá. Fiquei um período aproximado de um ano e meio por lá.” 

“Depois, com um novo concurso e aposentadorias foram surgindo vagas. Eu preferi a vaga na Seccional de Votuporanga, só que aí não tinha ainda vaga aqui, e sim em Valentim Gentil. Eu aceitei e fui bem recebido lá. Na época o Dr. Marcos Negrelli que me acolheu aqui, ele era o seccional. Aí, com o destaque do trabalho lá, eu consegui chegar primeiro na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), que ficou vago com a ida do delegado Dr. Carmona, para Fernandópolis, que é de lá. Daí, como sempre tive o objetivo de trabalhar na DISE, desde quando eu iniciei a carreira, ao surgir a oportunidade fiz a troca e pedi remoção para a DISE, enquanto o colega de Valentim Gentil, Dr. Thiago Madlum, assumiu a DIG em meu lugar”, explicou.

Perguntado sobre o trabalho, o delegado não esconde a satisfação de atuar a frente da unidade especializada antidrogas: “Eu adoro fazer investigações, sou apaixonado nessa parte. Eu acredito que aqui na DISE dá para fazer um trabalho bem bacana e que reflete muito na sociedade. Porque as mortes que ocorreram nesses últimos dois anos, e até participei nas investigações pela DIG, estão diretamente ligadas ao tráfico de drogas. Então, trabalhando aqui na DISE, eu acredito, tenho convicção, que os homicídios irão abaixar. Porque se eles forem presos primeiro aqui pelo tráfico de drogas, acho que isso vai dar uma cessada nessa guerra conhecida como a ‘guerra do tráfico’.” 

Questionado sobre os males causados pelas drogas na sociedade, o delegado pontua: “Menos drogas nas ruas, significa menos violência, essa linha que eu trabalho. Isso porque a droga reflete em outros crimes, o usuário, ele precisa de dinheiro para comprar droga. Ele furta, ele rouba um botijão de gás, ele vai trocar na biqueira por droga, ele faz um roubo no semáforo para conseguir dinheiro para comprar a droga. Então o tráfico de drogas, que é a origem do problema na sociedade hoje, ao ser combatido pode tornar Votuporanga uma cidade mais segura novamente.” 

Perguntado sobre temas em voga como ‘saidinhas temporárias’ e legislação, Rafael Latorre foi didático: “A legislação hoje, com o que está acontecendo, contextualizando, com a organização criminosa que atua no nosso Estado deveria ser um pouco mais rigorosa, mas as nossas penas em si, eu acredito que sejam o suficiente. O que deveria terminar e até está em pauta no Congresso são as saídas temporárias, mas ela tem uma função. Funciona para uns? Sim. Agora, para quem está em organização criminosa, quem é filiado ao partido [organização criminosa que atua dentro e fora das cadeias], não funciona. Isso porque ele quer viver da criminalidade, da atividade criminosa. A função social da pena, da saída temporária, para quem está já no regime semiaberto, é acostumar-se com a pequena saída de uma semana, cinco vezes ao ano; justamente para que ele se acostume com a liberdade, para depois vir ao regime aberto e participar da ressocialização, que é o principal fundamento da pena. Só que quem está na atividade criminosa não vai respeitar e vai voltar a delinquir muitas vezes na própria saída temporária.”  

Ao analisar o desempenho a frente da DISE, o delegado detalha uma operação recente onde ainda atuam para desbaratar um complexo sistema de tráfico de drogas: “Estou superfeliz aqui. Temos investigações em andamento aqui que vão fazer muito sucesso. Inclusive, na última semana já tivemos prisões significativas. A nossa equipe realizou uma busca e apreensão em que descobrimos um laboratório de drogas gourmet, com alto teor de TCH [substância da maconha]. Ele vendia droga para todo o Brasil. Era uma distribuição de droga de alto valor. A grama da droga em si custava em torno de R$150,00. Então, ou seja, o quilo da droga gourmet chegava a R$150 mil. Então, altamente lucrativa no valor agregado. E é assim, eu me sinto realizado quando descubro um alvo desses e consigo prendê-lo, juntamente com todo o aparato de provas, cumprindo o nosso papel de polícia. Especificamente nesta ocorrência, até em pequena quantidade aos olhos da população, mas de grande valor agregado, um comércio todo angariado que teve a trajetória interrompida por nossa ação.”  

De perfil discreto e com uma infância dividida entre os estudos e o futebol, Rafael Latorre descobriu uma vida e em meio a natureza em um sítio no qual denominou como ‘refúgio’: “Descobri uma parte rural que me encantou muito, até estava falando para minha esposa, dá nossa alegria, porque hoje é um dia muito importante em que nasceu o primeiro carneirinho. E pudemos acompanhar e ter essa alegria. É algo recente e que nos traz muita alegria.”  

Por falar de futebol, o canhoto que atualmente mergulha em investigações jogava na meia esquerda com passagem pelas categorias de base do Clube Atlético Mineiro: “Eu fiquei três anos lá no Atlético. Era um sonho de moleque, né? Quando eu tinha 14 anos, deixei a cidade de Nhandeara e fui morar em Belo Horizonte. E lá eu fiquei por três anos. Tentei ser jogador de futebol, mas não houve nenhum sucesso profissional. Aí, assim que eu retornei, eu fui focar nos estudos para conseguir caminhar a vida”, contou Rafael Latorre. Fonte: Diário de Votuporanga

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