Em contrapatida, 11% dos homens admitem ter cometido agressões. Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva faz um balanço sobre duas décadas de vigência da Lei Maria da Penha.
Mais da metade (54%) das brasileiras que já se relacionaram com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência, enquanto apenas 11% dos homens reconhecem ter cometido algum tipo de agressão contra a parceira ou ex-parceira.
É o que aponta a pesquisa de opinião “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva.
O levantamento mostra também que cerca de 30 milhões de mulheres dizem já ter sido vítimas de violência por um parceiro ou ex-parceiro. Quando questionadas sobre situações específicas de violência, esse número sobe para quase 48 milhões de brasileiras.
Entre os principais obstáculos no enfrentamento da violência contra a mulher, a maioria das entrevistadas aponta o medo de denunciar por represálias ou por falta de proteção (68%) o risco de impunidade dos agressores (56%), e a lentidão da justiça (39%).
O objetivo do estudo é avaliar o conhecimento, a percepção da efetividade e os desafios da Lei Maria da Penha após 20 anos de sua criação, investigando como a sociedade reconhece as diferentes formas de violência contra a mulher, os mecanismos de proteção e as expectativas em relação ao futuro.
🔎 A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é o principal instrumento jurídico do Brasil para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ela homenageia a farmacêutica Maria da Penha, que ficou paraplégica após sofrer duas tentativas de feminicídio por parte do marido e lutou por quase duas décadas para ver seu agressor punido.
Os resultados da pesquisa mostram avanços importantes promovidos pela legislação, mas também revelam que a violência de gênero permanece como um problema estrutural.
Segundo o estudo, a superação desse problema exige atuação articulada do Estado, fortalecimento das redes de proteção e transformações culturais capazes de enfrentar o machismo, a misoginia e outras desigualdades de gênero.
🔎 A pesquisa ouviu 1.500 pessoas de 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
Violência costuma ser praticada por homens próximos, na percepção das brasileiras
- Parceiros ou ex-parceiros: 88%
- Familiares ou parentes próximos: 33%
- Pessoas conhecidas: 29%
- Desconhecidos: 27%
- Todos os tipos de homens igualmente: 9%
- Outras mulheres: 6%
Violência psicológica é a forma mais relatada pelas mulheres
Mais da metade das brasileiras afirma já ter sofrido pelo menos um dos tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha.
- Violência psicológica: 42%
- Violência física: 25%
- Violência moral: 19%
- Violência sexual: 10%
- Violência patrimonial: 9%
Mulheres acionariam mais a polícia; homens dizem que interviriam diretamente
Ao presenciarem um homem agredindo uma mulher:
- Chamariam a polícia ou outras autoridades: 70% das mulheres | 56% dos homens
- Procurariam ajuda de outras pessoas: 11% das mulheres | 4% dos homens
- Tentariam intervir discretamente, sem uso da força: 9% das mulheres | 19% dos homens
- Tentariam intervir diretamente, usando a força se necessário: 7% das mulheres | 15% dos homens
- Não interfeririam: 1% das mulheres | 3% dos homens
- Não souberam responder: 1% das mulheres | 3% dos homens
Delegacia da Mulher é o serviço de apoio mais conhecido
Entre as mulheres entrevistadas, o serviço mais conhecido é:
- Delegacia da Mulher: 75%
- Ligue 180: 64%
- Polícia Militar (190): 55%
- Disque Denúncia: 54%
- CRAS e CREAS: 34%
- Juizados de Violência Doméstica e Familiar: 34%
- SOS Mulher: 32%
- Casa da Mulher Brasileira: 32%
- Defensoria Pública: 29%
- Ministério Público: 23%













