Juíza cancela júri popular após advogada tirar fotos dentro de plenário em Rio Preto

Jurados manifestaram constrangimento e temor em relação à foto tirada pela mulher. Juíza decidiu que o júri deveria ser cancelado por se tratar de homicídio com envolvimento de integrantes de uma facção criminosa.

A juíza da 5ª Vara Criminal de São José do Rio Preto/SP, Gláucia Véspoli dos Santos Ramos de Oliveira, determinou o cancelamento de um júri popular realizado na quinta-feira (20) após uma advogada que acompanhava a audiência tirar fotografias dentro do plenário. A ação é totalmente proibida e há um aviso expresso fixado na porta do local.

Segundo informações do Tribunal de Justiça (TJ), jurados que estavam arrolados para o julgamento de dois homens presos por homicídio qualificado manifestaram constrangimento e temor depois de a mulher tirar as fotos com o celular. Ela estava somente acompanhando os trabalhos do Judiciário e não defendia nenhum dos réus.

Mesmo depois de a advogada sair do plenário e não ser possível saber se ela realmente tirou fotos dos jurados, a magistrada perguntou a eles se tinham se sentido influenciados pela atitude da mulher e cinco responderam positivamente.

Por causa da manifestação dos jurados, especialmente considerando que se tratava de homicídio com envolvimento de integrantes de uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios, o júri popular foi cancelado por determinação de Cláudio Véspoli.

“Lamentavelmente em razão de ato irresponsável e expressamente proibido praticado por operadora de direito, advogada, ciente da proibição de uso de telefone celular ou de registro fotográfico de sessões do júri, tanto por profissão quanto pelo aviso expresso ostentado à porta do plenário […] outra solução não há a não ser a dissolução do Conselho de Sentença e redesignação do presente plenário que o faço para o dia 16 de abril de 2020, às 13h30min”, diz um trecho do termo de audiência publicado no site do TJ.

Ainda de acordo com informações do TJ, um ofício foi enviado para Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para ciência e providências cabíveis quanto à advogada mencionada.

O defensor de um dos réus afirmou à juíza que, com a decisão de adiamento do júri popular, o cliente sofreria prejuízo permanecendo no cárcere.

“Entendo que a atitude da advogada em tirar essas fotos atentou contra a dignidade da Justiça, contra as normas de segurança do fórum, ao passo que o Conselho de Sentença sentiu-se intimidado, no mesmo bordo consigna que o réu diante desse fato lamentável sofre prejuízo permanecendo no cárcere”, diz um trecho do termo de audiência.

Em seguida, o advogado do outro réu também se manifestou e pediu que o cliente aguarde o próximo julgamento em liberdade. Com os pedidos dos dois defensores, o Ministério Público vai avaliar se permite ou não.

“Este defensor nesta oportunidade ante ao incidente que ocorreu nesta oportunidade do qual não teve qualquer culpa com o corréu, requer-se de Vossa Excelência, ouvido antes o MP, a viabilidade desse corréu aguardar o próximo julgamento em liberdade”, diz outro trecho no termo de audiência.

FONTE: Informações | g1.globo.com

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