qua, 12 de agosto de 2026

Jaguatirica curada de sarna volta à natureza após meses de tratamento

A devolução de um animal silvestre ao seu habitat natural exige muito mais do que simplesmente abrir uma gaiola. Prova disso é a história de uma jovem jaguatirica que, após passar meses em tratamento, retornou totalmente saudável à Mata Atlântica no dia 24 de junho. O felino havia sido resgatado em condições debilitadas em uma área rural do município de Miracatu, no interior paulista, e precisou de cuidados intensivos para reaprender a sobreviver sozinho na floresta.

O resgate aconteceu depois que moradores da região notaram que o animal rondava frequentemente as propriedades rurais, aproximando-se de galinheiros em busca de comida de forma desesperada. Diante do risco, a Polícia Militar Ambiental foi acionada e levou a jaguatirica para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de Registro (Cetras-Registro). Ao chegar à unidade, os veterinários constataram que ela estava muito magra e com ferimentos na cabeça, pescoço e patas. Os exames laboratoriais revelaram um diagnóstico surpreendente para uma espécie nativa: sarna, uma doença de pele comum em animais domésticos.

A recuperação exigiu paciência e dedicação de toda a equipe técnica. Foram meses de isolamento e cuidados constantes até que o felino estivesse livre do parasita e com o peso ideal. Com a saúde restabelecida, a jaguatirica foi solta na Reserva Legado das Águas, uma grande área protegida que funciona como um corredor ecológico na Mata Atlântica. O local foi escolhido estrategicamente por oferecer bastante abrigo e alimento, permitindo que o animal viva em total liberdade sem o risco de transmitir doenças para outras populações de felinos. Como a espécie é considerada vulnerável à extinção em São Paulo, salvar cada indivíduo é uma vitória para a biodiversidade.

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