qua, 12 de agosto de 2026

“Isso não é coisa que se faz”: Idoso que teve cabelo tingido de vermelho desmente amizade com empresário

O idoso de 83 anos em situação de rua que foi alvo de uma polêmica que gerou profunda indignação nas redes sociais quebrou o silêncio nesta terça-feira, dia 9 de junho de 2026. Encontrado na região central de São José do Rio Preto, ele falou pela primeira vez com a imprensa e desmentiu categoricamente a versão do empresário Renato Eugênio Dias. O comerciante havia gravado um vídeo no domingo afirmando que os dois eram amigos de longa data e que o episódio — em que o idoso teve os cabelos e a barba pintados de vermelho em troca de roupas e ajuda — não passou de uma “brincadeira e momento de descontração”.

A vítima, que teve sua identidade preservada, demonstrou revolta com a justificativa do empresário e questionou o conceito de amizade do agressor, chamando-o de criminoso e afirmando que ele “não presta”. O idoso relembrou os momentos de humilhação registrados no vídeo gravado em maio, mas que só viralizou no último fim de semana. Ele revelou que havia consumido bebida alcoólica no dia e procurava amparo financeiro quando foi acuado. Nas imagens, o idoso aparece visivelmente desconfortável e hesita em aceitar a condição, mas o dono de uma garagem de veículos insiste e ameaça retirar as doações de agasalhos caso o idoso não aceitasse a pintura. Sentindo-se envergonhado com o resultado, o idoso contou que pediu 50 reais emprestados em uma loja logo após o ocorrido para pagar um barbeiro e raspar toda a cabeça e a barba, eliminando os vestígios da tinta.

Por outro lado, a defesa do empresário Renato Dias se manifestou por meio de uma nota assinada pelo advogado Edlênio Xavier Barreto. O defensor alegou que o vídeo que circulou na internet representa apenas um recorte tirado de contexto e que o idoso frequentava o estabelecimento do empresário há vários anos. A nota também informou que Renato não foi o responsável por filmar ou espalhar as imagens na internet, e declarou que o cliente está totalmente à disposição da Polícia Civil e do Ministério Público, lamentando o sofrimento e os transtornos causados ao idoso.

A repercussão do caso mobilizou a rede de assistência social do município. A secretária de Desenvolvimento Social, Lana Braga, localizou o idoso e conversou com ele sobre a possibilidade de um acolhimento institucional. O idoso, que é acompanhado pelas equipes de saúde desde 2019 por conta da dependência química, recusou o encaminhamento para abrigos. Ele explicou que tem dificuldades em se adaptar a clínicas por medo de conviver e dormir no mesmo espaço com pessoas desconhecidas. A prefeitura informou que vai respeitar a autonomia da vítima e manterá o acompanhamento nas ruas de forma gradual por meio de assistentes sociais, além de enviar o relatório do caso para a Defensoria Pública por classificar a situação como vexatória.

O episódio agora tomou o rumo jurídico e está sob investigação policial. A Polícia Civil de São José do Rio Preto abriu um inquérito para apurar a conduta do empresário, que pode responder por crimes previstos no Estatuto da Pessoa Idosa e também pelo crime de injúria, por ter exposto o homem a uma situação degradante. Paralelamente, o Ministério Público abriu um procedimento oficial para investigar o caso a fundo e garantir a responsabilização penal do envolvido por ofensa direta à dignidade humana.

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