Inflação dos supermercados volta a subir em março e atinge quinta pior marca em 25 anos 

Alta de 1,13%nos preços registrados em março teve forte influência de itens relevantes no dia a dia das famílias, como produtos in natura, aves e suínos. 

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), voltou a subir em março, com alta de 1,13%.No acumulado do primeiro trimestre de 2019 o IPS registrou inflação de 3,30%, o que representa o quinto pior resultado para o período desde a criação do plano real, há quase 25 anos. 

“A alta da inflação nos supermercados registrada em março é resultado do novo aumento de preços nos produtos in natura e, também, da elevação no preço de aves e suínos. Estes itens têm grande relevância na mesa do brasileiro e resultam em peso maior no orçamento da população.Isso fez com que o índice permanecesse pressionado no geral”, explicou o economista da APAS, Thiago Berka. 

Índice de Preços dos Supermercados (IPS/APAS) 

Em março, das 27 categorias acompanhadas, 20 apresentaram inflação. Este cenário é um pouco diferente do que aconteceu no mês anterior, quando foram registrados aumentos em 15 categorias. 

Destaques de março 

Produtos In Natura: recordes de aumento com segundo março mais caro em 25 anos. Março de 2019 ficará marcado negativamente para a categoria de hortifrutigranjeiros. Além de ser o segundo mês de março mais caro desde a criação do plano real, é o sexto mês com maior inflação mensal em 25 anos. Para completar a lista de recordes, o trimestre para a categoria registrou o terceiro maior aumento no plano real, praticamente empatado com 1997, o segundo colocado. 

“Estes fatos são importantes para ressaltar o impacto que 2019 está tendo dos produtos hortifrutigranjeiros, que têm determinados itens carregando aumentos de preço contínuos desde o fim de 2018. No grupo das frutas, a banana subiu 11%; nos legumes, o tomate aumentou 49%, batata 27%, ovos 7,30% e alface 19,38%”, avaliou Berka. 

A alta no preço da banana aconteceu por conta de as colheitas nas regiões produtoras terem sido antecipadas devido ao calor e umidade. Isso resultou em aumento de preço para o varejo em até 58% em relação a janeiro. Justificativa semelhante aconteceu também com o tomate, que teve antecipação da safra de verão devido ao calor, o que tornou a oferta menor nos mercados em março. 

No caso da batata, os produtores observam ótimos preços na venda devido às dificuldades com o volume de água. Por conta disso, os produtores adiantaram a colheita para aproveitar os preços elevados, o que gerou falta de oferta do produto em março. O preço da saca de 50 kg de batata está em R$ 145,00, pouco mais que o dobro dos R$ 70,00 cobrados no mesmo período do ano passado. 

A alface, hortaliça bastante consumida pelos brasileiros, teve impacto direto das chuvas que castigaram as roças no interior do estado de São Paulo. Isso prejudicou a colheita e resultou em grande descarte de produção, uma vez que os produtos apresentaram baixíssima qualidade. Por conta disso, o maço da alface, que era vendido a R$ 0,56 em 2018, quase triplicou em 2019 e é comercializada pelo produtor a R$ 1,42. 

Em relação aos ovos de galinha, o aumento é tradicional neste período de quaresma que antecede a Páscoa, pois muitas pessoas não comem carne vermelha por questões religiosas. Apesar da forte alta, os valores estão dentro dos padrões observados historicamente. 

No caso das aves e suínos, a explicação para a alta está no mercado externo, que passou a comprar mais e incentivou o produtor a exportar. As aves tiveram aumento de 7% e os suínos registraram alta de 16% nas exportações, com a China como o principal destino. Com isso, os preços internos responderam rapidamente em março, demonstrando alta para estas categorias. 

Nota Metodológica 

O Índice de Preços dos Supermercados tem como objetivo acompanhar as variações relativas de preços praticados no setor supermercadista ao longo do tempo. O Índice de Preços dos Supermercados é composto por 225 itens pesquisados mensalmente em 6 categorias: i) Semielaborados (Carnes Bovinas, Carnes Suínas, Aves, Pescados, Leite, Cereais); ii) Industrializados (Derivados do Leite, Derivados da Carne, Panificados, Café, Achocolatado em Pó e Chás, Adoçantes, Doces, Biscoitos e Salgadinhos, Óleos, Massas, Farinha e Féculas, Condimentos e Sopa, Enlatados e Conservas, Alimentos prontos,); iii) Produto In Natura (Frutas, Legumes, Tubérculos, Ovos, Verduras); iv) Bebidas (Bebidas Alcoólicas, Bebidas Não Alcoólicas); v) Artigos de Limpeza; vi) Artigos de Higiene e Beleza. Assim, o IPS se apresenta como instrumento útil aos empresários do setor na tomada de decisões com relação a preços e custos dos mais diversos produtos. No que diz respeito à indústria, de maneira análoga, possibilita a tomada de decisão com relação a preços e custos dos produtos destinados aos supermercados. Ao mercado e aos consumidores é útil para a análise da variação de preços ao longo do tempo possibilitando o acompanhamento da evolução dos custos ao consumidor do setor supermercadista. 

Sobre a APAS – A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade tem 1.508 associados, que somam 3.363 lojas. 

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