qua, 12 de agosto de 2026

‘Eu quero justiça’, diz mãe de adolescente que teve hemorragia cerebral após ser agredido com pá por aluno em escola cívico-militar

Estudante voltou para casa após o fim das aulas em Birigui (SP) e, dois dias depois, foi diagnosticado com hemorragia cerebral. Paciente permanece internado na UTI neurológica da Santa Casa de Araçatuba.

A mãe de um adolescente de 13 anos que sofreu uma hemorragia cerebral após ser agredido com uma pá por um aluno dentro de escola estadual cívico-militar em Birigui (SP) quer justiça para que outros estudantes não passem por situações semelhantes.

Em entrevista à TV TEM, a enfermeira Juliana Alves relembrou os momentos de tensão e contou que a agressão ocorreu no dia 29 de julho, quando outro aluno atingiu a cabeça de seu filho.

A mãe afirma que não foi comunicada pela escola sobre o ocorrido e que, na data em que houve a agressão, o adolescente voltou para casa após o fim das aulas, como de costume. Contudo, dois dias depois, em 31 de julho, o menino começou a relatar dor de cabeça intensa, apresentar palidez e confusão mental.

“Por volta de umas 21h mais ou menos, que é o horário que eu costumo colocar todos eles para dormir, ele começou a gritar, colocando a mão na cabeça, articulando, dobrando-se como se estivesse com dor e falou: ‘”Mãe, faz parar, faz parar, está doendo muito, está doendo muito’”, explica Juliana.

O adolescente foi levado às pressas para o pronto-socorro de Birigui e, devido à gravidade do quadro, transferido para a Santa Casa de Araçatuba no sábado (1º). No hospital, uma tomografia identificou uma hemorragia cerebral, de acordo com a mãe. Ela enviou à reportagem uma foto do exame

Ainda conforme a mãe, o estado de saúde do adolescente se agravou durante a madrugada desta quarta-feira (5), e ele foi internado na UTI neurológica. Até a última atualização desta reportagem, o paciente apresentava um quadro estável e respondia aos estímulos.

Juliana procurou a delegacia, registrou um boletim de ocorrência e acionou o Conselho Tutelar após a direção da escola confirmar a agressão.

“Eu não quero que eles [alunos] passem isso que ele passou lá na escola, né? Nem bullying, nem essa agressão, quero que as pessoas que fizeram isso sejam responsabilizadas. Nenhuma criança merece passar o que ele passou. Então, eu quero justiça para ele e para não acontecer com mais ninguém”, finaliza Juliana.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que lamenta o ocorrido e repudia qualquer forma de violência dentro ou fora do ambiente escolar. A equipe gestora adotou as providências cabíveis e acionou as responsáveis pelos alunos envolvidos para uma reunião de mediação. A pasta informou ainda que acompanha o estado de saúde da vítima e presta suporte à família.

Como está a investigação

Segundo o delegado responsável pela investigação do caso, Ícaro Oliveira Borges, o boletim de ocorrência, inicialmente registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Birigui .

A Polícia Civil instaurou um Procedimento de Apuração de Ato Infracional e informou que irá intimar os responsáveis pelos menores envolvidos. O delegado também ouviu a professora.

Além disso, foram requisitados exame de corpo de delito ao Instituto Médico Legal (IML) e informações ao Pronto-Socorro Municipal de Birigui e ao hospital de Araçatuba, onde o adolescente recebeu atendimento.

A pá usada para causar a lesão foi apreendida e será encaminhada para exame pericial. Segundo a Polícia Civil, nesta quarta-feira (5), foram colhidos os depoimentos do diretor de ensino, da coordenadora pedagógica, da monitora pedagógica e do pai da vítima.

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