qua, 12 de agosto de 2026

‘Era esperado’, ‘não dava para viver’, ‘medo’ e ‘fome’: o desabafo dos venezuelanos após prisão de Maduro pelos EUA

O presidente dos EUA afirmou neste sábado que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, após forças dos EUA capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na última madrugada.

Migrantes venezuelanos que tiveram que deixar o país natal castigados pela crise econômica relataram “misto de sentimentos” após os ataques militares lançados pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Longe do país de origem, eles acompanham as notícias e falam em expectativa de mudança política e medo de novas perdas para quem ficou.

A fronteira do Brasil com a Venezuela está fechada após ataque dos EUA e anúncio da captura de Nicolás Maduro. O Exército brasileiro acompanha a situação e há militares e viaturas posicionadas próximos ao marco onde ficam as bandeiras dos dois países.

Entenda: Os Estados Unidos lançaram um ataque militar de grande escala contra a Venezuela com explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A ofensiva resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, segundo anunciou o presidente americano Donald Trump.

Professor universitário por mais de quatro décadas na Venezuela, José Gregorio Tovar, de 68 anos, vive há um ano e oito meses na capital roraimense, separado da família. Para ele, a ofensiva era algo esperado por parte da população que se sentia sem alternativas.

“Esse ataque era esperado. O povo venezuelano não tinha mais apoio interno. Foram anos de uma ditadura que oprimiu o povo, destruiu a economia, a educação e empurrou milhões para fora do país. Queríamos mudanças”, afirmou.

José Gregorio relata que viu universidades esvaziarem, salários serem reduzidos a valores simbólicos e a educação perder força. Segundo ele, professores chegaram a receber o equivalente a cerca de US$ 130 por mês, enquanto aposentadorias não ultrapassavam alguns centavos de dólar.

“Eu dava aula para quatro mil estudantes. Hoje, a universidade tem menos de 700. A economia encolheu, a educação foi reprimida e a fome virou realidade. Somos mais de 10 milhões de venezuelanos fora do país”, disse.

Mesmo distante, ele mantém contato com familiares que permanecem na Venezuela e afirma que o clima ainda é de tensão.

“Há divisão interna, há medo. Ainda existem grupos armados e reações violentas. O futuro não está resolvido com essa captura. Mas mesmo assim, é um misto de sentimentos”.

Contexto: Roraima é a principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no Brasil, pela cidade de Pacaraima. Desde 2015, o estado recebe grande parte das pessoas que fogem da crise política, econômica e social no país comandado por Maduro.

Caíque Rodrigues, Kailane Souza, g1 RR e Rede Amazônica — Boa Vista

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