Em gravação, assassinos de jornalista saudita fazem piada antes de esquartejá-lo 

Khashoggi é descrito como ‘animal destinado ao sacrifício’ por médico legista, segundo a BBC.

Os supostos assassinos do jornalista saudita Jamal Khashoggi comentaram, em tom de brincadeira, que “um açougueiro não corta sua carne no chão”, pouco antes de esquartejá-lo no consulado saudita, em Istambul, na Turquia, segundo testemunhas entrevistadas pela BBC. 

O assassinato que supostamente envolveu 15 agentes sauditas, ocorrido em outubro do ano passado, provocou grande comoção. A CIA (Agência Central de Inteligência/EUA) e uma especialista da ONU (Organização das Nações Unidas), Agnes Callamard, apontaram como responsável o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, que nega envolvimento. Procurando restaurar sua imagem, o reino saudita levou 11 suspeitos à Justiça. 

Helena Kennedy, uma advogada britânica que participou da investigação da ONU, ouviu uma gravação fornecida pelas autoridades turcas — que colocaram microfones no consulado — nas quais Khashoggi é descrito como um “animal destinado ao sacrifício”. 

“Eles se perguntavam se o corpo e o quadril dariam dentro de uma bolsa”, disse ela à BBC no documentário exibido na noite de segunda-feira (30), quase um ano após o assassinato. 

A relatora especial da ONU Agnes Callamard, que também ouviu a gravação, disse que Khashoggi perguntou a seus carrascos: “Vocês vão me dar uma injeção?”, para receber um “sim” como resposta. 

“O que ouvimos depois mostra que ele está sendo sufocado, provavelmente com um saco plástico na cabeça. Algum tempo depois, alguém diz: ‘É um cachorro, ponha isso na cabeça dele, envolva-a’. Só podemos entender que eles cortaram a cabeça dele”, explica ela à BBC. 

O médico legista, suspeito de ter cortado o corpo em pedaços, teria dito: “Costumo ouvir música ao cortar cadáveres. Às vezes com um café e um cigarro na mão”, segundo Kennedy. 

Ainda segundo ela, o legista disse: “É a primeira vez na minha vida que tenho que cortar pedaços no chão. Até um açougueiro que quer cortar um animal o pendura.” 

Helena Kennedy, acrescenta: “Você os ouve rir, é arrepiante.” 

A Turquia entregou à ONU uma gravação de 45 minutos que faz parte da investigação sobre o assassinato do jornalista, crítico do regime saudita e que vivia exilado em Washington. Khashoggi foi à embaixada para obter documentos para se casar com sua noiva turca. 

“Você ouve Khashoggi passar do sentimento de confiança ao medo, depois a uma agonia crescente, ao terror e, finalmente, à percepção de que algo vai acontecer”, diz Kennedy. 

FONTE: Informações | BBC 

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