qua, 12 de agosto de 2026

Doação de órgãos pode salvar até 8 vidas; mais de 47 mil pessoas esperam por transplante no Brasil

Nesta série de reportagens da TV TEM, apresentada pela jornalista Mayara Corrêa, que é transplantada, conheça como um “sim” pode mudar a vida de alguém. SP concentra maior número de pacientes na fila.

Mais de 47 mil pessoas esperam por um transplante no Brasil e a maior demanda por um órgão está no estado de São Paulo. A maioria dos pacientes é homem, com idade entre 50 e 64 anos. O Brasil tem o maior sistema público de transplantes e é o segundo país que mais realiza procedimentos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Criado em 1997, o Sistema Nacional de Transplantes é referência mundial. O processo de transplante começa quando a Central de Transplantes entra em contato com o médico do paciente. Ele avalia a oferta e decide se aceita ou não. Se a resposta for positiva, a enfermeira Lilian Belo, que trabalha em um hospital particular de Sorocaba (SP), entra em ação.

Nesta série de reportagens da TV TEM, apresentada pela jornalista Mayara Corrêa, que é transplantada, conheça como um “sim” pode mudar a vida de alguém por intermédio do Sistema Nacional de Transplantes de Órgãos.

Foi ela quem me ligou no dia em que recebi a notícia mais importante da minha vida: havia um órgão disponível. Graças à decisão generosa de uma família, estou aqui para contar essa história

— Mayara Corrêa, jornalista da TV TEM

Um “sim” para a doação de órgãos pode salvar até oito vidas. A ligação mais esperada pode demorar, mas quando o telefone toca, é impossível não sentir uma mistura de emoções: medo, alívio e esperança.

É muito emocionante, porque acompanhamos o paciente desde o ambulatório. Ele chega cheio de esperança e fé. Nossa ligação não tem data nem hora, e quando acontece, é sempre um momento marcante. Sempre passamos três informações essenciais: se o paciente está bem, que ele deve vir ao hospital com um familiar, e o horário da última refeição, para calcular o tempo de jejum. Também informamos o horário provável da cirurgia para organizar tudo”, diz a enfermeira Lilian Belo.

Ir ao hospital não garante que o transplante será realizado. O paciente passa por exames, como coleta de sangue e eletrocardiograma, para confirmar se está apto. Enquanto isso, a equipe busca o órgão e verifica sua condição. No Brasil, a doação só acontece com autorização da família, e cada órgão precisa ser liberado individualmente. Essa conversa ocorre em casos de morte encefálica.

Em casos raros, o paciente precisa receber cinco órgãos de um único doador. Esse procedimento é chamado de transplante multivisceral. O primeiro foi realizado no Brasil em 2012, sob comando de um médico formado em Sorocaba. A cirurgia durou quase 12 horas e envolveu 15 profissionais. Desde fevereiro deste ano, o transplante multivisceral passou a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

“Foi tudo muito bem planejado e organizado. A equipe e a instituição estavam preparadas. A paciente tinha uma doença grave no fígado, com trombose em todas as veias que ligam o intestino ao órgão. Por isso, não era possível transplantar só o fígado. O procedimento foi um sucesso e abriu caminho para outras instituições realizarem transplantes multiviscerais. Ainda é feito em escala pequena, mas o Brasil precisa avançar mais rápido nessa área”, relata Ben-Hur Ferraz Neto, médico especialista em transplante de fígado.

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