Detetive que tentou extorquir R$ 300 mil de padre vai a julgamento

Acusado passou a pedir dinheiro após adolescente flagrar religioso da Diocese de São José do Rio Preto (SP) nu em varanda de casa paroquial. Julgamento foi marcado para março de 2023.

A Justiça marcou para março de 2023 o julgamento de um detetive acusado de extorquir um padre da Diocese de São José do Rio Preto (SP) e exigir R$ 300 mil para não denunciar um suposto caso de nudez envolvendo o religioso de 63 anos.

Tv Tem teve acesso ao processo, que indica que uma adolescente de 13 anos teria visto o sacerdote pelado na varanda da casa paroquial. Após o flagrante, a extorsão começou e o dinheiro seria dividido entre o detetive de 33 anos e os pais da garota.

Investigação da extorsão e prisão

A reportagem da Tv Tem apurou que as primeiras ameaças contra o padre foram feitas no dia 2 de outubro de 2018, quando o religioso atuava em uma paróquia na região norte de Rio Preto.

Em seu depoimento à Polícia Civil, o padre relatou que foi procurado pelo detetive na própria paróquia. O acusado mostrou um distintivo de detetive profissional e disse que estava a serviço de um homem e uma mulher, vizinhos do padre, porque a filha do casal teria flagrado o religioso se exibindo sem roupas na varanda da casa paroquial, o que teria provocado abalo psicológico na menina.

Para não denunciar o padre à polícia, o detetive exigiu o pagamento de R$ 300 mil. Ele também ameaçava divulgar o caso à imprensa.

O padre procurou um advogado, que passou a negociar com o acusado e também acionou a Polícia Civil. Na negociação, o detetive aceitou receber R$ 60 mil para não denunciar o caso.

Orientado por policiais, o advogado do padre combinou de se encontrar com o detetive no dia 17 de outubro de 2018, em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis, onde seria feito o pagamento de parte do valor exigido.

No local combinado, o advogado entregou uma caixa com R$ 19,5 mil em dinheiro ao detetive. Minutos depois, ele foi abordado por dois policiais e preso em flagrante.

Atualmente, ele responde ao processo em liberdade provisória condicional, não podendo se aproximar do padre. O pai e a mãe da adolescente não foram presos, mas também foram denunciados e serão julgados em março de 2023.

Em depoimento, os pais da garota disseram que foram orientados pelo detetive a receber o dinheiro do padre para não levar o caso à polícia. Também em depoimento, o religioso negou que tenha se exibido pelado para a adolescente.

Tv Tem tentou entrar em contato com a defesa dos acusados por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

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