O pitbull Iron, de aproximadamente cinco anos de idade, teve um sábado de alívio e vitória após se tornar o herói de uma família em São José do Rio Preto. O cachorro recebeu alta veterinária neste dia 30 de maio, depois de passar um dia internado para se recuperar de uma facada que levou ao pular na frente do próprio tutor para protegê-lo durante uma violenta briga familiar.
O ataque aconteceu na tarde de sexta-feira, dia 29 de maio, no bairro Jardim Estrela. De acordo com as investigações, um homem de 44 anos, que luta contra a dependência química, iniciou uma discussão banal com o pai, um idoso de 69 anos, por causa das chaves da residência. Em um momento de extrema agressividade decorrente da abstinência de drogas, o filho pegou uma faca e tentou desferir golpes contra o idoso. Foi nessa hora que Iron demonstrou sua lealdade e avançou contra o agressor para salvar o dono, sendo atingido por uma facada profunda na parte traseira do corpo, perto da perna direita. O corte fez o animal perder muito sangue, permitindo que o idoso corresse e se trancasse em segurança no banheiro até a chegada da polícia.
Resgatado pelas equipes da Secretaria Municipal do Bem-Estar Animal, Iron foi levado às pressas para uma clínica parceira. Ele chegou bastante fraco e debilitado, mas, graças ao seu porte físico forte e musculoso, o impacto da lâmina não atingiu nenhum órgão vital, dispensando a necessidade de uma transfusão de sangue. A secretária da pasta e capitã da Polícia Militar, Amália Paci, ressaltou que a estrutura física de Iron salvou sua vida, pois um cão menor dificilmente teria sobrevivido à violência do golpe. Ela aproveitou para quebrar o preconceito contra a raça, lembrando que Iron, adotado aos dois anos de idade, foi um exemplo de proteção, e lamentou que os pitbulls sejam os cães que mais sofrem com o abandono e maus-tratos na cidade, logo atrás dos vira-latas.
O agressor, que já possuía histórico de violência e passagens na polícia por atacar outros parentes e vizinhos, foi preso em flagrante e encaminhado para a Central de Flagrantes. Ele responderá pelo crime de lesão corporal contra o pai idoso e também pelo crime de maus-tratos a animais. A secretária explicou que, enquanto o homem poderia eventualmente responder em liberdade pela agressão ao pai, a facada no cachorro mudou sua situação jurídica: a lei brasileira prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para maus-tratos a cães e gatos, tornando o crime inafiançável e mantendo o agressor na cadeia. A prefeitura reforçou que a divulgação dessas punições severas e aplicação de multas são ferramentas essenciais para colocar medo nos agressores e reduzir os índices de violência contra os animais na região.












