Paulo César Pires viu avó desesperada na rua, em São José do Rio Preto (SP), com a criança desacordada e parou carro. Em Araçatuba (SP), outro bebê foi desengasgado por PMs.
Um bebê de 53 dias engasgado com leite foi salvo no domingo (29), em São José do Rio Preto (SP), por um policial militar aposentado que perdeu a neta recém-nascida há menos de um mês. Em Araçatuba (SP), outro bebê, de apenas seis dias, também foi salvo por PMs após engasgar com o leite, no sábado (28). O desengasgo foi gravado pelas câmeras de monitoramento da base policial.
O salvamento de domingo em Rio Preto foi emocionante para os envolvidos. Em entrevista ao g1, Elisangela Fernanda Azevedo da Silva, avó de Calebe, de 53 dias, contou que o neto começou a engasgar ainda em casa, o que causou desespero na família ao perceber que a criança não conseguia respirar.
Ao pegar o bebê no colo, notou que ele apresentava sinais preocupantes, como espuma na boca e dificuldade para reagir. A avó ainda revelou que tentou fazer a manobra de desengasgo, mas sem sucesso.
Diante do desespero, decidiu correr pela rua até uma base da Polícia Militar, que fica perto da residência, enquanto o filho acionava o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Correndo com o bebê pela via, a mulher foi surpreendida pelo policial aposentado Paulo César Pires, de 59 anos, que estava dirigindo um carro e parou para oferecer ajuda.
“A boca espumava e foi aquele desespero. Eu saí correndo de pijama para levar o bebê até a base. Nisso, já parou o carro na contramão, o motorista abriu a porta e veio correndo na minha direção. Era o Paulo. Já pegou o bebê da minha mão. Foi desesperador”, comenta a avó.
À reportagem do g1, Paulo Pires, que é tenente reformado da PM, iniciou imediatamente os procedimentos de primeiros socorros para casos de engasgo.
“Vi o bebê nos braços da senhora, só pensei em ajudar. Ele estava roxinho, desacordado e mole. Então, usei a manobra de Heimlich, fiz sucção bucal no nariz e boca do bebê para retirar possível secreção”, explica Paulo.
Conforme ele, Calebe já estava desacordado no momento. Paulo usou a manobra de desengasgo, além da sucção para desobstruir as vias aéreas da criança. A ação durou poucos minutos, mas, segundo ele, o tempo pareceu maior diante da tensão.
“No decorrer da minha carreira profissional, tive várias ocorrências de salvamento, porém essas envolvendo crianças são as que mais impactam. Foram alguns minutos que pareceram uma eternidade. Foi um misto de alívio e agradecimento por ter sido instrumento”, comenta o tenente reformado.
O menino nasceu prematuro em 6 de fevereiro e passou 32 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital antes de receber alta, o que gerou ainda mais preocupação na família diante do engasgo.
Duas situações diferentes
O salvamento que fez no domingo emocionou o policial aposentado, que perdeu recentemente a neta, com poucos dias de vida, vítima de cardiopatia grave. A menina nasceu em 23 de fevereiro e morreu no dia 2 de março. Por isso, o desengasgo de Calebe foi um momento marcante.
“É indescritível em tão curto espaço de tempo você passar por duas situações tão diferentes: em um dia você sepulta um ser amado e, no outro, Deus te dá a oportunidade de renovar aquela vida através de uma criança desconhecida”, diz Paulo, emocionado.
A família do bebê também destacou a importância do encontro inesperado. Segundo a avó, a sensação é de gratidão e alívio após o susto. Ela acredita que, sem a ajuda do policial aposentado naquele momento, o desfecho poderia ser diferente.
“Deus envia anjos no momento de desespero, como uma porta de escape, porque ali sem dúvidas o Paulo foi um anjo enviado. Se a gente não tivesse encontrado ele, não sei o que teria acontecido, talvez nós tivéssemos perdido [o Calebe]. Então, só temos a agradecer”, relata a avó. G1












