Xamanismo e autoconhecimento

Filosofia de vida das mais antigas, o xamanismo tem como essência a busca pelo autoconhecimento por meio do fluxo e dos ensinamentos da natureza e também do próprio mundo interior. O termo xamanismo surgiu quando antropólogos, visitando a região da Manchúria, na Sibéria, se deparam com a figura de um sacerdote, que, além de cuidar do culto religioso, também era conselheiro, médico e mago. Como aquela prática sacerdotal em nada se equiparava a das chamas religiões tradicionais (católica, evangélica, budista ou espírita), o sacerdote foi chamado de “shaman” (lê-se xamã), de onde decorreu o termo xamanismo.

A filosofia xamanista é um conjunto de ensinamentos milenares que, através da cultura e da tradição de tribos, são passados até os dias de hoje. Desta forma, então, há o xamanimso siberinao, australiano, celta, europeu, africano e americano. Civilações como Maias, Astecas e Incas tinham práticas xamânicas em sua cultura. Mas, diferentemente do que todos pensam, o xamanismo não está relacionado somente às comunidades indígenas. “O xamanismo não se circunscreve a nenhuma etnia específica, mas, sim, está presente todas elas. Sejam índios, pretos, brancos e amarelos”, explica Alexandre Radeu Ignácio Barbosa, padrinho (nome dado ao coordenador) do grupo Céu de Capella, comunidade de xamanismo gnóstico de Rio Preto.

Cada comunidade xamanística espalhada pelo mundo tem seus deuses específicos, rituais, plantas medicinais e mágicas. “Dentre elas, há aquelas conhecidas como Plantas de Poder, as quais, em maior ou menor grau, conferem a seus usuários o despertar de faculdades anímicas adormecidas, como a clarividência, clariaudiência, recordações de vidas passadas, viagem em astral”, conta Barbosa.

Para os índios da América do Sul, segundo o padrinho, a planta de poder é a ayahuasca. “É um termo da língua andina quecha, cuja tradução mais aceita é ‘vinho das almas’. Trata-se de uma bebida formada por duas plantas de poder, um cipó comumente chamado de jagube ou mariri e uma folha parente do café, carinhosamente chamada por algumas comunidade de rainha. O ayahuasca é um remédio para a cura de uma infinidade de doenças.”

De acordo com Barbosa, é comum testemunhos de pessoas que se curaram depois de participarem de diversos rituais. “Mas não nos colocamos na sociedade como curandeiros. Respeitamos a diretrizes médicas quando estas receitam a seus pacientes os alopáticos de costume. Jamais falamos para qualquer pessoa deixar de tomar este ou aquele remédio, mas o que é fato é que, ao participarem desses rituais mágicos, as pessoas se curam.” Larissa de Oliveira/Diário da Região

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