Werneck e Tavares apontam que para escrever é preciso pensar o tempo todo

A penúltima roda de conversa do Fliv (Festival Literário de Votuporanga), na noite de quinta-feira, recebeu Humberto Werneck e Bráulio Tavares.
Os escritores abordaram o tema ‘Crônica: interferência da vida na literatura’, com a mediação do votuporanguense e articulista do Diário, Orlando Ribeiro e na oportunidade relataram conselhos e dicas para se escrever.
De acordo com Bráulio Tavares, a divisão entre crônica e conto é superficial. “As crônicas muitas vezes possuem o tom narrativo, é preciso contar uma história. Se você é uma pessoa que pensa o tempo todo fará boas crônicas. Não devemos esperar as ideias, pois elas não vão cair no seu colo. O primeiro conselho é que pensem o tempo todo”.
Já Humberto Werneck define que a crônica também é a mesma coisa que o conto. “Você escreverá de acordo com a sua realidade, mas é preciso ter um público, existem escritores que escrevem a vida inteira, mas não encontram o seu público e alguns encontram depois da morte.
Devemos escrever para contribuir, por isso que as crônicas muitas vezes tornam-se livros, já que os jornais acabam sendo utilizados para embrulhar peixe”.
Tavares ressalta ainda que cada escritor define o seu tom de crônica. “Isso é do pessoal e de acordo com o perfil. A crônica literária é muitas vezes uma reflexão intima de seu interior referente a alguma coisas do exterior, como um desabafo. Outros já exploram de outra forma, eu, por exemplo, trabalho de acordo com o que leio, mas chamo alguns textos de artigo e às vezes sai uma crônica, trazendo aquilo que me perturba”.
Werneck destaca que o conteúdo para se escrever é adquirido por aqueles que lêem. “Com a leitura você consegue isso, é preciso do dicionário, explorar a sonoridade para ter uma linguagem evoluída e com isso aprender a gramática, isso desde que você leia muito.
Muitas vezes o momento de obrigação lhe fornece a capacidade para escrever. O escritor profissional tem a obrigação de escrever todo o dia, mesmo que não seja publicado. O bom cronista é aquele que você não consegue contar a história para outra pessoa, é necessário ler para entender com as palavras do autor”.
Segundo Tavares é preciso ver as potencialidades da linguagem. “Se você só ter uma forma de organizar as ideias, apenas terá uma forma de escrever. O leitor necessita de uma conversa próxima, pois é preciso estar falando para a pessoa, existem políticos que gritam para o povo, mas não é necessário. É importante lembrar que a gramática se corrige, mas o pensamento não”.
Outro assunto discutido por Werneck foi sobre a crônica e o jornalismo. “Ambos possuem relação acidentalmente, por apenas estar publicada nos jornais e revistas. A boa crônica vai contra o noticiário, trazendo a verdade de outras formas”.
O mediador Orlando Ribeiro trouxe citações e definições de crônica de diversos escritores brasileiros e comentou sobre o relacionamento entre alunos e a escrita. “Existem casos de jovens que temem o professor de redação, por acharem que não sabem escrever, mas, eles se falam, também sabem escrever e isso precisa ser deixado claro para eles”.

Dança
Na quinta também aconteceu uma apresentação da 1ª Mostra Internacional de Dança de Votuporanga. Os presentes puderam assistir o espetáculo ‘Corpouvido’, da Virtual Cia. de Dança, de São José de Rio Preto, com direção de Marcelo Zamora.

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